Querosene Jacaré: ainda mais conectados, 15 anos depois

Banda recifense Querosene Jacaré relança o disco “Fique Peixe”, de 2001, agora disponível em plataformas digitais

Cortejo da abertura do Carnaval de OlindaCortejo da abertura do Carnaval de Olinda - Foto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

 

Há 15 anos, quando o termo antenado ain­da era sinônimo de atualizado, a banda Querose­ne Jacaré já estava um passo à frente: era uma banda conec­tada. Naquele ano, o gru­po, já sem o ex-band-lea­der Ortinho, lançava seu segundo álbum, “Fique Peixe” (Manguenitude/Polydisc-Sony Music, 2001), com letras e músicas em mp3 no site Manguenius, do portal Terra. Visionários, seus integrantes achavam que a iniciativa ajudaria na divulgação em vez de contribuir com a pirataria. Uma década e meia depois, o disco retorna às plataformas digitais (Spotify, Deezer, Google Play e iTunes, entre elas) com distribuição do selo Tratore. 

“O pessoal ficava perguntado no Facebook: Cadê o ‘Fique Peixe’?. Por acaso a gente pensou em relançar e viu que estava fazendo 15 anos”, conta o baterista AD Luna. Ele lembra que, anos depois, a Mombojó também lançou um álbum primeiramente apenas na internet e foi divulgado que se tratava do pioneiro nesse tipo de ação. “Mas a primeira foi a Querosene Jacaré”, repara.

E esse reaparecimento da Querosene não se limita ao relançamento de “Fique Peixe”. A banda está em estúdio, com a formação do segundo disco, ensaiando e rearranjando as canções dos dois álbuns. “Principalmente do segundo”, enfatiza AD. “Estão ficando bem diferentes. Só “Banana Elétrica”, de Cinval, está igualzinha.” A principal diferença, em comparação à fase anterior, segundo o baterista, é que agora “é um negócio sem agonia”. “Na época do primeiro disco, ainda havia a esperança de estourar e fazer sucesso. Hoje isso não existe mais. A gente toca sem pressão, por prazer.” E pelo jeito a Querosene não pretende ficar se limitando a revisitar seu próprio passado. “Já está saindo coisa”, afirma AD, referindo-se a novas músicas. 

O disco

Em 2001, a Querosene Jacaré não era uma banda tão longeva, mas já era cheia de histórias. Da formação original, que gravou o álbum de estreia “Você Não Sabe da Missa um Terço“ (Paradoxx, 1998), saíram o vocalista Ortinho e o guitarrista Hélio Loyo; e Alfaia, que passou a cantar, assumiu também o contrabaixo após o covarde assassinato do companheiro Airton Gordinho num assalto, um ano antes. 

O crime, aliás, ocorreu durante as gravações, e provocou a mudança do grupo para um formato mais enxuto, com Tonca (guitarra), Adelson (agora só AD, bateria) e Cinval (percussão) completando o quarteto. A formação, claro, influenciou no resultado do novo trabalho. Ao contrário do que poderia se espe­rar, com a redução do gru­po, os músicos mais experientes deixaram o som mais aberto, com mais informações, ideias, influências e vontade de se sobressair. Até a produção ficou a cargo da banda.

Em “Fique Peixe”, o rock’n’roll psicodélico da Querosene passou a dialogar mais com a música brasileira e com os recursos elétricos e eletrônicos de palco e de gravação. E o fato de não contar mais com um artista de referência - o inigualável Ortinho - tornou o trabalho mais fácil de se conferir em detalhes. Foi um verdadeiro divisor de águas para a ban­da, ainda hoje capaz de instigar um retorno do gru­po, como o que acontece agora.

 

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