Sáb, 06 de Dezembro

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EUROPA

Rapper irlandês do grupo Kneecap vence processo após ser acusado de terrorismo em Londres

Juiz rejeitou denúncia contra Mo Chara, acusado de exibir 'uma bandeira do Hezbollah'; decisão ocorre em meio a pressões políticas e cancelamentos de turnês do grupo por postura pró-Palestina

Mo Chara é integrante do grupo irlandês KneecapMo Chara é integrante do grupo irlandês Kneecap - Foto: Gisela Jane/Divulgação

O rapper Liam Óg Ó hAnnaidh, conhecido artisticamente como Mo Chara, integrante do grupo irlandês Kneecap, teve uma acusação de terrorismo rejeitada pela Justiça britânica nesta sexta-feira. O músico havia sido denunciado em maio por supostamente exibir “uma bandeira do Hezbollah” durante um show, em episódio classificado pela promotoria como violação da lei que proíbe a exibição de símbolos de organizações consideradas terroristas no Reino Unido.

O caso chegou a julgamento em Londres, onde o juiz Paul Goldspring acolheu os argumentos da defesa e descartou a denúncia. Segundo a decisão, os promotores não apresentaram a acusação “na forma correta” e perderam o prazo legal para fazê-lo.

Ó hAnnaidh, formalmente citado no processo como Liam O’Hanna, alegou que apenas segurou a bandeira porque ela foi arremessada por alguém da plateia no ano anterior, sem que ele soubesse de qual símbolo se tratava.

 

'Palestina Livre'
A decisão representa uma vitória para o Kneecap, que vem enfrentando crescente pressão política e jurídica em meio a manifestações públicas contra Israel e de apoio à causa palestina. Na semana anterior ao julgamento, o grupo lotou um show para 12,5 mil pessoas em Londres, onde projetou nos telões a frase “Free Palestine” (“Palestina Livre”) acompanhada de mensagens críticas a Israel.

Essa postura já trouxe consequências diretas à carreira do trio. Após comentários anti-Israel no festival Coachella, em abril, o Kneecap perdeu o patrocinador de seu visto para os Estados Unidos, o que levou ao cancelamento de uma turnê norte-americana em agosto, que incluiria dois shows esgotados em Nova York. Os rappers também estão proibidos de entrar na Hungria, e o governo do Canadá barrou recentemente sua entrada no país, inviabilizando uma série de apresentações que começaria em Toronto no dia 14 de outubro.

O secretário parlamentar canadense Vince Gasparro chegou a afirmar em vídeo que o Kneecap havia “amplificado a violência política” e “demonstrado publicamente apoio a organizações terroristas”. Em resposta, o grupo declarou no Instagram que seus comentários eram “totalmente falsos e profundamente maliciosos” e prometeu ações legais contra o político. “Seremos incansáveis em nos defender contra acusações infundadas destinadas a silenciar nossa oposição ao genocídio que está sendo cometido em Israel”, acrescentaram.

A absolvição em Londres foi a segunda vitória legal recente da banda.

Em julho, a polícia do sudoeste da Inglaterra encerrou uma investigação sobre declarações feitas pelo Kneecap no festival Glastonbury, quando os músicos disseram que “Israel são criminosos de guerra” e conduziram o público em gritos de “Free, free, Palestine” (“Livre, livre, Palestina”).

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