"Habla Mesmo" abre espaço para a juventude ser ouvida
Programa no Gloob é espaço de escuta das Gerações Z e Alpha
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A estreia de “Habla Mesmo” no Gloob parte de uma premissa simples, mas pouco explorada na televisão: ouvir adolescentes e jovens sem tentar traduzi-los para o olhar adulto.
Gerações Z e Alpha
Exibido em episódios curtos, com cerca de 20 minutos cada um, o programa assume, desde o início, um ritmo compatível com a atenção fragmentada das Gerações Z e Alpha, sem confundir agilidade com superficialidade.
A proposta é clara: conversar, refletir e rir, mas sem transformar temas sensíveis em sermão.
No comando, Nathi Costa, Emilly Nayara e Nina Prado demonstram segurança e escuta ativa, algo que nem sempre se vê nesses formatos voltados ao público jovem e nem entre jovens dessa faixa etária – as duas primeiras, por exemplo, têm 17 anos.
As três conduzem os episódios com naturalidade, alternando leveza e seriedade conforme o convidado da vez. A direção ajuda a sustentar esse equilíbrio, evitando tanto a infantilização quanto a tentativa de emular a estética frenética das redes sociais.
O mérito do “Habla Mesmo” está justamente na variedade de caminhos que a conversa pode tomar.
De tudo um pouco
Em um mesmo espaço, é possível discutir desde o look que não pode faltar no armário, alguns hábitos cotidianos e até questões estruturais, como identidade, saúde mental e protagonismo social.
Episódios com convidados como Rene Silva revelam que, quando o tema exige densidade, o formato responde à altura, permitindo relatos de trajetória, responsabilidade coletiva e construção de voz própria. Tudo sem quebrar o clima típico de proximidade.
Quadros fixos, como “Habla com a Gente”, apresentado por Nicole Orsini, funcionam como respiro entre os blocos de conversa, ampliando o diálogo para além do estúdio.
O cenário colorido e lúdico reforça a identidade jovem da atração, mas sem reduzir o conteúdo a algo raso ou descartável.
Pode-se dizer que “Habla Mesmo” já é um acerto do Gloob, canal que parece reconhecer que falar com jovens não significa falar por eles, mas criar um espaço em que jovens conduzem a conversa e articulam suas próprias experiências.
O programa não pretende aprofundar todos os temas, mas abre portas, legitima sentimentos e oferece escuta. E está disponível também no Globoplay, inclusive para os não assinantes – mais um acerto, porque pode atrair um público que não faz parte do cotidiano do canal e do streaming.
No geral, “Habla Mesmo” cumpre bem a função de criar um espaço onde a juventude pode, simplesmente, falar e ser ouvida.
SERVIÇO
“Habla Mesmo” – Gloob – Segundas e quartas-feiras, às 19h.

