Recife recebe a 8 ½ Festa do Cinema Italiano a partir desta quinta-feira

Homenageado desta edição, o filme 'O Melhor da Juventude' é um dos destaques da programação. O diretor Marco Tullio Giordana está no Brasil a convite do evento

Marco Tullio Giordana Marco Tullio Giordana  - Foto: Divulgação

O Recife entra, mais uma vez, no roteiro da 8 ½ Festa do Cinema Italiano, que ocupa cinemas de 16 cidades do Brasil, mostrando o melhor do cinema contemporâneo daquela país. Desta quinta-feira (8) até o dia 21 de agosto, o icônico Cinema São Luiz será a casa do evento, que, desta vez, utilizou recriações das obras de Caravaggio, Leonardo Da Vinci, Sandro Botticelli, Rafael e Michelangelo para compor as peças de divulgação.

A programação no Recife inclui três filmes por dia, distribuídos em sessões às 14h30, 17h e 19h30. Na abertura, serão exibidos "Michelangelo", "Euforia", que marca o abre oficial, e "O Melhor da Juventude 1", respectivamente. O cônsul da Itália Gabor de Zagon prestigia o evento. Os ingressos custam R$10 (inteira) e R$5 (meia). Confira a programação completa aqui

A homenagem desta edição vai para o filme "O Melhor da Juventude", um clássico contemporâneo que narra a saga de uma família dos anos 1960 até os 2000. O diretor Marco Tullio Giordana, de 68 anos, está no Brasil a convite do festival e passará pelas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia. Em entrevista à Folha de Pernambuco, o cineasta falou sobre a participação no evento, seu longa-metragem mais prestigiado e novos projetos.

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Entrevista com Marco Tullio Giordana

Qual é a importância de exibir “O Melhor da Juventude” neste festival?

Fico muito feliz de vir ao Brasil e apresentar meu filme aqui. Esse tipo de evento é muito importante, porque faz algo cada vez mais raro, que é a troca de cinematografias. Hoje em dia, os filmes italianos chegam muito menos ao Brasil e vice-versa. O diálogo é muito menor. Incrivelmente, em um tempo em que temos a internet e tantos meios de comunicação, a gente troca menos.

Lançado em 2003, “O Melhor da Juventude” venceu a mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes. Como a repercussão desse filme impactou a sua carreira?

Por incrível que pareça, o sucesso do filme não me facilitou fazer outros trabalhos. O que aconteceu é que sempre me ofereceram produzir sequências, mas sempre recusei. O que mudou, na realidade, é que eu entendi como é se sentir amado pelas pessoas com essa obra. Isso fez toda a diferença.

"O Melhor da Juventude" (2003) - Crédito: Divulgação



Você faz um cinema muito comprometido com questões políticas. De onde vem essa preocupação?

Eu não tenho exatamente uma paixão pela política, mas sim por falar de coisas que dizem respeito às injustiças. Todas as relações humanas trazem algo em si que implica na disparidade. Isso é algo que nunca consegui aceitar, desde que eu era criança. Talvez por ser do signo de libra, a justiça é algo muito importante para mim. É para reparar as injustiças que faço o cinema que faço. Mas acho que agiria da mesma forma se tivesse seguido outra profissão.

Qual é a atual situação da indústria cinematográfica italiana?

O cinema italiano perdeu muito público. Isso porque ele é financiado pela televisão. As escolhas são feitas pelos empresários dos grupos de mídia, sempre em função de minimizar, não criar riscos e ousar, e com isso sofre não só o cinema da Itália, mas do mundo inteiro. Naturalmente, todos nós tentamos fugir disso de alguma forma. É certo que muita gente perdeu a vontade fazer cinema, mas existem muitos jovens cineastas ótimos. Posso citar Paulo Sorrentino, Matteo Garrone, Claudio Cupellini, Alice Rohrwacher e tantos outros nomes. Não sou pessimista e nem compro esse ideia de que o cinema morrerá. Os cineastas estão aí, as novas gerações estão produzindo e isso é o que importa. Ainda há diretores que combatem, sofrem, mas são capazes de nos dar sempre filmes interessantes.

 

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