Regina comanda Secretaria da Cultura sob intervenção de Zambelli

Além de Zambelli, Regina conta com o apoio do secretário de Assuntos Especiais da Presidência da República, Flávio Rocha

Carla Zambelli, deputada federalCarla Zambelli, deputada federal - Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Em meio a processo de fritura, a atriz Regina Duarte recorreu a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) para tentar construir saída honrosa da Secretária Especial da Cultura. Regina está trabalhando desde a semana passada em um projeto para a produção de vídeos que têm como objetivo apresentar as atividades já executadas na pasta. Ela tomou posse em março.

Além de Zambelli, de quem Regina é amiga, ela conta com o apoio do secretário de Assuntos Especiais da Presidência da República, contra-almirante Flávio Rocha. A deputada federal deverá indicar nomes para a Cultura, uma vez que as escolhas feitas por Regina foram derrubadas por ela mesma ou pelo presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com um ex-aliado da atriz, Regina tem agido de maneira intempestiva e se isolado dos seus principais apoiadores. No fim de semana passado, deixaram a Secretaria Especial de Cultura o secretário-adjunto Pedro Horta. A assessora de imprensa Renata Giralda também foi demitida. Segundo relatos feitos a reportagem os dois aliados se desentenderam após a entrevista de Regina à emissora CNN Brasil. Nela, a conversa foi interrompida, após o que a secretária chamou de chilique.


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Entre as propostas estão auxílios para artistas, repasses de R$ 10 mil para centros culturais e modificações nos prazos de prestação de contas, pagamento de tributos, além da concessão de crédito a juro zero e com prazo de até três anos para pagamento. Há ainda um plano para a descentralização dos recursos, ou seja, repasse direto para as secretarias de Cultura de estados e municípios.

 

Pessoas próximas à secretária dizem que Regina está construindo uma saída elegante do governo do presidente. Bolsonaro tem deixado claro que a secretária está em processo de fritura pública. A atriz foi aconselhada a passar por um processo de media trainning. Contudo, este treinamento será feito por um advogado criminalista, e não um profissional de comunicação. Essa saída foi desenhada com o auxílio de Zambellli e Rocha para que Regina esteja preparada a responder a questionamento. Isso leva em conta argumentos jurídicos.

De acordo com pessoas próximas à pasta, a Secretaria Especial da Cultura está vivenciando uma espécie de intervenção da deputada bolsonarista. Na visão da ala ideológica do governo, Regina não atendeu as expectativas de retirar nomes ligados à esquerda do setor cultural. Esse é um temo caro a Bolsonaro e aos olavistas.

A atriz enfrenta dificuldade direta com o presidente da Fundação Camargo, Sérgio Camargo. Ele foi mantido no cargo à revelia da vontade da secretária. Com a tutela de Zambelli, a ideia é criar um ambiente de transição para que Regina saia do governo de forma pacífica. Para isso, ela aceitou o suporte de duas alas importantes do governo: a ideológica, representada pela secretária, e a militar, com Rocha.

Regina chegou a fazer uma apresentação para Bolsonaro sobre seus planos para a cultura. Ela, no entanto, não convenceu o presidente sobre sua gestão. Na visão dele, a atriz, por não intensificar a guerra cultura e ideológica, não o satisfez.

Nesta terça-feira (19), o presidente postou um vídeo nas redes sociais em que o ator Mário Frias diz estar à disposição para substituir a atriz no órgão. "Pro Jair, cara, o que ele precisar eu tô aqui. Eu torço demais pra Regina, eu sou fã dela, mas pelo Brasil eu tô aqui, o que for preciso", disse o ator à CNN no começo de maio, sobre a possibilidade de assumir o órgão.

"Respeito o Jair demais, vejo o Brasil com chance de finalmente ser respeitado", afirmou, no vídeo postado por Bolsanaro. Ainda nesta terça, o presidente levou Frias para um almoço com presidentes de Flamengo e Vasco. O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, também participou do encontro. Como mostrou a Folha de S.Paulo em abril, Bolsonaro deu aval a aliados para que façam críticas públicas à gestão de Regina.

Há dois meses no cargo a atriz ainda não apresentou um programa robusto de emergência para o setor cultural. Agora, artistas e gestores se apoiam em iniciativas do Congresso para buscar uma solução para o meio, fortemente afetado pela pandemia do novo coronavírus. Nesse contexto, a Folha de S.Paulo publicou na terça (18) que artistas passaram a conversar com congressistas para levar adiante a aprovação do que vem sendo chamado de Lei Emergencial da Cultura.

A proposta relatada pela deputada federal Jandira Feghali (PC do B-RJ) é a junção de quatro projetos que estavam no Congresso. A iniciativa vem sendo articulada por Jandira e um grupo de congressistas com a participação de artistas e de secretários estaduais e municipais de Cultura de todo o país.

 

 

 

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