Artes

Reinvenção da arte em meio a pandemia

Artistas desenvolvem novas atividades durante período da Covid-19

O cantor Otto retomou o prazer da pintura na quarentenaO cantor Otto retomou o prazer da pintura na quarentena - Foto: Divulgação

Sem sombra de dúvidas, o setor cultural foi um dos principais afetados pela pandemia do novo Coronavírus. Impossibilitados de produzirem shows, exposições ou outras atividades culturais, muitos artistas se viram diante de sérias dificuldades financeiras.

Enquanto o processo de implementação da Lei Aldir Blanc transcorre, lei federal que prevê apoio emergencial ao setor diante do estado de calamidade pública decretado pela União, muitos dos trabalhadores da arte resolveram desenvolver novas atividades artísticas para se manter durante esse período.

Foi o caso do cantor Otto, que mesmo antes da quarentena se viu instigado a retomar um antigo amor. “Antes da pandemia voltei a comprar tinta. Comecei fazendo uns seres, rostos, seres de luz. Quando veio a pandemia eu pensei “Mergulha Otto. Mergulha!” e veio surgindo uns abstratos outras formas, técnicas. Há três ou cinco meses venho tentando uma prática de acordar às 9 é só parar de pintar as 5 da tarde”, disse.

Obras de arte de OttoObras de arte de Otto

O músico revela que desde cedo, com seus 19 ou 20 anos, mantinha a pintura como uma de suas expressões, só que tinha vergonha do que produzia, o que foi diminuindo com o tempo. Ainda assim, teve dificuldade em lançar pro mundo suas telas. “A ausência de shows está sendo muito dura, mas para comercializar minha pintura eu precisava ter uma boa produção. Passei meses em um grande conflito, até que comecei a soltar, pouco a pouco, no meu Instagram e aí veio a confirmação, meus seguidores começaram a acompanhar junto comigo o processo, e depois vieram as propostas de querer para eles” explicou o galego.

Foi aí, que o percussionista decidiu então, abrir uma página na rede social dedicada a essa nova atividade. “Lancei no insta @ottopintamatopeia que é uma exposição virtual permanente. Todo dia eu pinto e mostro meu trabalho lá. Eu nem sei explicar o meu prazer, me reinventei na pandemia” confessou, revelando que entrou de vez no mundo das artes plásticas.

A quarentena também mexeu com a atividade de Juvenil Silva, o músico independente encontrou nesse período uma janela de oportunidade para experimentações. “A primeira coisa que atinei no começo da pandemia é que haveria tempo de sobra para novas imersões e aprendizados. Eu não sabia gravar, sempre dependi de técnicos e amigos e estava em meio a produção de disco que está guardado até hoje. Não quis parar. Senti que era o momento ideal pra dá esse passo. Corri atrás dos equipamentos necessários e peguei dicas com amigos”, relembrou. 

Juvenil Silva investe em um modelo Juvenil Silva investe em um modelo musical "offline"

“A grande questão era como lançar essas músicas. Se eu lançasse nas plataformas digitais, não daria em nada além de views. Daí veio a ideia de lançar de forma off-line, em que as pessoas que curtem minha música podem comprar por um valor espontâneo. Sigo dando essa alfinetada na lógica injusta das plataformas”, explicou o cantor que desde o início da pandemia já lançou os EP’s o Isolamento Acústico Volume 1 e Volume 2 e se prepara para lançar o “Não amolem os Canivetes”, todos fora das plataformas digitais.

Já Cannibal, vocalista da banda Devotos, além de se envolver no auxílio às famílias mais vulneráveis das periferias com vídeos de conscientização para esse momento, começou a vender os produtos da banda on-line. “Nós sempre vendemos em shows e, com essa pandemia, eu comecei a vender pelos Correios, meu livro e os produtos da devotos, nos shows vendia mais rápido, mas agora é uma experiência bastante diferente e tá vendendo muito, é um modo diferente de você se manter”, afirma o punk do Alto José do Pinho.

Cannibal passou a vender os produtos da Devotos onlineCannibal passou a vender os produtos de sua banda, a Devotos, online

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