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'Respeita Januária', solo da bailarina Januária Finizola, faz sua estreia no Teatro Hermilo

Januária Finizola reúne lembranças para transformá-las em dança no solo que mostra dentro do 23º Festival de Dança do Recife

Cena de 'Respeita Januária', com Januária FinizolaCena de 'Respeita Januária', com Januária Finizola - Foto: Rogério Alves/Divulgação

A pernambucana Januária Finizola teve a oportunidade de crescer entre ícones da cultura popular nordestina. Filha do médico, poeta e compositor, Janduhy Finizola, ela passou parte da infância convivendo com artistas do porte de Luiz Gonzaga. Seu nome, inclusive, é uma homenagem ao sanfoneiro Januário, pai do Rei do Baião.

Todas essas referências serviram de inspiração para "Respeita Januária", espetáculo em que a bailarina transforma em dança as suas lembranças. A estreia ocorre neste sábado (20), às 21h15, no Teatro Hermilo Borba Filho, dentro da programação 23ª Festival de Dança do Recife.

"Sempre tive vontade de fazer alguma coisa sobre as músicas do meu pai. Comecei a estudar como eu faria isso e tive a ideia de construir um biodrama. Assim eu poderia contar a minha história dentro da obra do meu pai, resultando em algo mais verdadeiro possível", revela a artista.

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A estrutura dramatúrgica do solo, assinada por Christianne Galdino, parte do trabalho mais conhecido de Janduhy: "Rezas de sol para a Missa do Vaqueiro". "Luiz Gonzaga já tinha gravado algumas composições do meu pai e sabia que ele tinha uma ligação com a religião. Então, perguntou se ele poderia fazer uma canção para a Missa do Vaqueiro. Meu pai respondeu que, se quisesse, faria a trilha da missa inteira", conta.

Januária apropria-se da liturgia do evento religioso - que ocorre no município de Serrita, no Sertão de Pernambuco, desde 1971 - para dividir com o público um ritual que celebra suas origens e memórias. Ao mesmo tempo, a bailarina evoca questões políticas e sociais em sua performance.

   Justiça aos nordestinos 

"Peço justiça aos vaqueiros, nordestinos em geral, que tanto lutam por melhores condições de trabalho e vida. Também toco na temática da mulher. Deixei crescer o meu cabelo, que eu utilizo como uma musculatura mesmo. Há uma simbologia, já que feminilidade muitas vezes é associada ao cabelo grande", adianta.

Composta por Johann Brehmer, a trilha sonora do espetáculo conta com referências à obras de Janduhy Finizola. Além de todas as faixas de "Rezas de sol para a Missa do Vaqueiro", há trechos de canções gravadas por artistas como Jorge de Altinho, Azulão, Jacinto Silva e Marinês. Marcondes Lima assina direção cênica, cenografia e figurino. Os ingressos para a apresentação custam R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada).

Serviço:
'Respeita Januária', solo de Januária Finizola
Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, Bairro do Recife)
Neste sábado (20), às 21h15
R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada)
Informações: (81) 3355-3320/3321

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