Reverência em forma de música

Cantora Glória Bonfim celebra as divindades do candomblé hoje, no projeto Samba de Bamba, na Caixa Cultural

Sambista vem para cantar as músicas do álbum “Anel de Aço”, que saiu pela Biscoito FinoSambista vem para cantar as músicas do álbum “Anel de Aço”, que saiu pela Biscoito Fino - Foto: Miriane Figueira/Divulgação

Na vida de Glória Bomfim, música e espiritualidade sempre caminharam juntas. Seja no terreiro, onde exerce a função de ialorixá, ou quando sobe ao palco como cantora, a baiana utiliza sua voz para celebrar as divindades do candomblé.

Comparada a nomes como Clementina de Jesus e Clara Nunes, a artista é a convidada da terceira edição do projeto Samba de Bamba 2017. Ela se apresenta no Recife pela primeira vez hoje, às 20h, no teatro da Caixa Cultural Recife.

“A música de santo está no meu sangue, por causa da minha vida espiritual. É uma tradição que vem de família e com a qual eu me identifico muito”, afirma a cantora. Para Glória, interpretar canções quem tocam em questões religiosas exige mais do que técnica e preparo vocal. “Para quem sobe ao palco e canta esse tipo de música, é importante saber o que está sendo cantado. É preciso ter o mínimo de conhecimento sobre o assunto, se quiser passar a mensagem da letra ao público”, defende.

A sambista nasceu em Areal, povoado no interior da Bahia. “Minha família é de músicos. Meus irmãos tocavam em festas e, muitas vezes, eu cantava em casamentos e batizados”, relembra. Aos 14 anos, ela se mudou para o Rio de Janeiro com o objetivo de trabalhar como empregada doméstica. Mesmo depois de tantos anos vivendo na “cidade maravilhosa”, a musicalidade baiana ainda está impregnada na alma da cantora.

 “O melhor samba de roda vem lá do Recôncavo Baiano. Essa é a minha praia”, declara.

O repertório do show é composto por músicas do último disco da artista, “Anel de aço” (2011), lançado pelo selo Quitanda, que Maria Bethânia mantém em parceria com a gravadora Biscoito Fino. “Bethânia sempre foi uma das minhas maiores referências.

Hoje, tenho a sorte de chamá-la de minha madrinha musical”, revela.

Aos 59 anos, Glória começou a cantar profissionalmente apenas há oito anos. Antes disso, ela atuava como cozinheira. E foi graças a esse trabalho que surgiu a oportunidade de mudar de carreira.

“Eu trabalhava na casa de Paulo César Pinheiro, que eu nem sabia que era o compositor da música que mais marcou a minha infância: ‘Viagem’. Ele tinha 14 músicas inéditas, que iria gravar, mas resolveu me dar de presente. Esse foi o meu primeiro disco, ‘Santo e orixá’, lançado em 2007 e regravado, depois, com o título de ‘Anel de aço’”, conta. O álbum traz canções como “Bambueiro”, “Cavalo de santo” e “Senhor da justiça”.

Durante a apresentação na capital pernambucana, a artista canta acompanhada por um quinteto musical composto por Rafael Mallmith (violão de sete cordas), Leo Pereira (cavaco), Bidu (pandeiro), Marcus Thadeu (bateria) e Julião Rabello (violão).

Serviço : Projeto Samba de Bamba, com Glória Bomfim Quando: hoje, às 20h Onde: Teatro da Caixa Cultural (avenida Alfredo Lisboa, 505, bairro do Recife) Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada) Informações: (81) 3425-1905

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