Rincon Sapiência se encontra pela primeira vez com Lia de Itamaracá em show no Festival No Ar no Coq

Músico paulista sampleou a música "Moça Namoradeira", de Lia, em seu último álbum. O show dos dois está marcado para para este sábado

O rapper paulista Rincon SapiênciaO rapper paulista Rincon Sapiência - Foto: Renato Stockler/Divulgação

Sapiência é um substantivo derivado do latim que significa, entre outras opções, um grande acervo de conhecimentos. Basta escolher uma das músicas do rapper Rincon para ver que o sobrenome escolhido pelo artista faz sentido.

O número de referências é gritante e se mistura entre as rimas que retratam a vida na Zona Leste de São Paulo. Passeando pelas letras, ouvimos sobre racismo, violência, medo, pobreza, amores não correspondidos, fortalecimento que não se restringe a apenas um lugar do País.

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Virginiano, Rincon, 32 anos, está sempre pesquisando coisas novas e numa dessas buscas se deparou com as músicas da pernambucana Lia de Itamaracá.

“Sou um cara fissurado por pesquisa, por música afro, música brasileira, música afroindígena, afoindigenalusitana, fissurado em conhecer, então pesquisando música.. encontrei o CD de Lia de Itamaracá e me interessei em saber desse disco de ciranda dos anos 1970. E assim que peguei para ouvir me apaixonei, e os resultados foram acontecendo, naturalmente”, descreve o músico.

Desse encontro virtual, surgiu a faixa “Moça Namoradeira”, que mescla o retrato de uma mulher abandonada com a crítica de uma submissão feminina, que atravessa os séculos. Pela primeira vez, os músicos se encontram e será sob o palco Velvet, no Recife, no show da meia-noite no Festival Coquetel Molotov, que ocorre neste sábado (21), no Caxangá Golf Country Club, na Iputinga.

O músico paulista traz diversas referências em suas rimas

O músico paulista traz diversas referências em suas rimas - Crédito: Renato Stockler/Divulgação

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#8220;Ter a benção da Lia foi algo extremamente grandioso para mim e agora poder encontrar com ela no palco e fazer música - fora o que ela representa como história, como artista - e também poder apresentar alguma coisa, vai ser muito, muito massa”, anseia Rincon.

Lia, atribulada entre sua própria agenda de shows, diz não ter escutado muitas músicas do paulista, mas gostou do que já ouviu. “A música ficou boa, está bonita. Vamos nos conhecer lá no palco. Vou tocar ciranda, tocar coco, vai ter moça namoradeira, outras músicas”, revela.

Mesmo tendo consentido entrevistas separado, a fala do músico completa: “O resto é segredo, só colando lá e olhando, assistindo, pra saber o resultado desse encontro”, diz.

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Apesar das letras com pegada social, o que Rincon se preocupa mesmo é em fazer música boa. “Se eu tiver de falar de racismo ou outras questões sociais, eu falo, não abro mão, mas acho que a música e a arte têm que brilhar em primeiro plano. 


Então é muito importante que você possa ter um tom de denúncia, de protesto, mas que a rima tem que ser legal, a batida tem que ser da hora, afinal é uma música que a gente faz”, ressalta. Por isso, a pesquisa também reverbera para diversos ritmos. “Minhas referências músicas são o samba, popular nos anos 1990.

Tanto o samba mais clássico quando o samba ‘pop’ que era tocado nas rádios. A música black norte-americana, reggae, música eletrônica, passo por rock. Para citar nomes são muitos, mas para poderia dizer Gil, Moraes Moreira, Katinguelê, Racionais, Chico Science, Nação Zumbi, Novos Baianos e por ai vai”, conta.

 

Serviço:
Festival No ar no Coquetel Molotov
Onde: Caxanga Golf Country Club - Av. Caxangá, 5362 - Iputinga
Quando: Amanhã, a partir das 13h
Quanto: a partir de R$ 50 (meia-entrada)
Classificação indicativa: 18 anos
www.coquetelmolotov.com.br

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