Ronaldo Correia de Brito adota voz feminina em novo romance

Ronaldo Correia de Brito lança seu novo livro, "Dora sem véu", com bate-papo com o público no Museu do Estado

Ronaldo lembra que narrativa explora o Nordeste brasileiro, fazendo a investigação do choque entre as culturas contemporânea e arcaicaRonaldo lembra que narrativa explora o Nordeste brasileiro, fazendo a investigação do choque entre as culturas contemporânea e arcaica - Foto: Marina Mahmood/Arquivo Folha

Ronaldo Correia de Brito saiu da zona de conforto. Para além do ato de resistência que considera "escrever, pensar e expor ideias no Brasil que atualmente trama contra a liberdade de pensar e de fazer", deu um passo adiante ao adotar uma voz feminina para o romance "Dora sem véu". Publicado, como seus outros livros, pela editora Alfaguara, a obra tem lançamento nesta segunda-feira (11) no Museu do Estado, nas Graças, às 19h, com bate-papo entre autor e público, mediado pelo jornalista Schneider Carpeggiani.

Tudo começou há 13 anos, no conto chamado "Milagre em Juazeiro", publicado no livro "Livro dos Homens". Foi a partir dele que Ronaldo visualizou caminhos para um texto maior. "Esse conto guardava dentro dele um embrião, que indicava possibilidades de se transformar", conta o autor. "Dora sem véu", inclusive, veio cheio de desafios e dificuldades, mas explorar a história, inicialmente reduzida no conto, não foi um deles. "Como já tinha um arcabouço muito bem estruturado, no qual eu tinha trabalhado muitos anos, eu já possuía um caminho a seguir", comenta Ronaldo.

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Como um pai que não escolhe entre seus dois bons filhos, o autor compara a escrita de romances e contos, mas não aponta um favorito. "O conto tem dificuldades na narrativa curta — você precisa ter uma escrita mais enxuta, mais precisa. O acabamento é completamente diferente. O romance, por ser mais extenso, comporta mais experiências, tanto de linguagens quanto reflexões, histórias. Você pode juntar várias narrativas e apontar vários caminhos, desenvolver alguns e outros nem tanto", explica.

   Em trânsito

Interligada a outras obras, "Dora sem véu" vem como continuação de uma narrativa que explora o Nordeste brasileiro. "Traço um ponto de ligação entre 'Faca', 'Galileia' e 'Dora sem véu' na medida em que os três têm em comum personagens que se sentem fora de lugar, que estão em trânsito, que não se sentem cômodos na geografia que habitam e no tempo em que vivem", compara Ronaldo. Logo, se rotula: "Sou um investigador desse choque entre modernidade e antiguidades, entre a cultura contemporânea e a cultura arcaica", diz.

Da voz feminina que se incorpora como narradora em "Dora" vêm a vontade de tratar do feminismo nos tempos atuais. É como se Francisca, a narradora-personagem, reivindicasse seu direito de fala. "Não tinha a intenção de narrar o romance na primeira pessoa feminina, mas, já no começo, Francisca tomou a fala e começou a narrar. Fui assumindo esse lugar de mulher e tive bastante dificuldade, mas foi uma boa experiência", compartilha o autor. "Francisca é uma personagem pós-movimento feminista. Ela tem 65 anos, então ela viveu o feminismo e entra em contato com outra forma de movimento, uma espécie de ressurgimento do feminismo", analisa.

Serviço:
Lançamento de "Dora sem Véu"
Quando: Segunda-feira (11), às 19h
Onde: Av. Rui Barbosa, 960
Informações: 3184-3174
Gratuito
Livro:
R$ 49,90 (físico) / R$ 34,90 (e-book)

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