Sagrado Feminino: fortalecimento da união

Quando uma mulher se trabalha e libera sua energia uterina é um verdadeiro encanto de cura e fortalecimento para si e ao seu redor

Quadro pintado por Mariomar Teixeira e inspirado no livro Mulheres que correm com os lobos de Clarissa Pinkola EstésQuadro pintado por Mariomar Teixeira e inspirado no livro Mulheres que correm com os lobos de Clarissa Pinkola Estés - Foto: Gabriel Teixeira

Muitos ficaram me perguntando por eu não ter feito um texto sobre gênero no Dia das Mulheres, já que estudo de gênero é um das minhas especialidades e também uma paixão. Por ter muitas colocações e evitar ser prolixa, busquei a colaboração de pessoas especiais. Até para ler e ter outros pontos de colocações independentes da minha. As diferenças ou as igualdades, tentar conhecê-las é o que nos enriquece.

Na semana passada a coluna teve a colaboração de Ronaldo Patrício e de Mayra Melo.

SUGESTÕES DE LEITURA:
Energia feminina pelo tarot
Autoestima - necessidade real
Agenda Holística a partir da 11ª semana de 2018

Quando faço consultoria e se tiver uma mulher com a autoestima baixa, sempre sugiro várias atividades, entre elas a leitura do livro Mulheres que correm com os lobos, de Clarissa Pinkola Estés. Uma das minhas clientes não só comprou o livro, mas soube de grupos de estudos que entre outras atividades, também utiliza o livro na sua reconstrução. Dessa maneira conheci sobre o excelente trabalho desenvolvido por Roberta Rigaud.

Pedi a colaboração de Roberta Rigaud que é Alpha Coach e Terapeuta Transgenerativa, conduz grupos semanais do Sagrado Feminino utilizando as histórias sagradas, a astrologia e os oráculos. Conduz cursos, vivências e retiros que envolvem meditação, música, dança, fogo, cachoeira e muita conversa (a Agenda Holística consta eventos proporcionados por Roberta).

Ela comenta sorrindo que iniciou sua busca espiritual aos 10 anos quando não entendia na aula de catequese como Deus, Jesus e o Espírito Santo eram a mesma pessoa. Hoje aceitou os três e incluiu mais gente nessa alegria que é viver a vida.

Agradeço por nos prestigiar e colaborar com a nossa coluna.

Roberta Rigaud:
“ ‘Jovem, mãe, anciã.
Esteja aqui, escute essa canção.
Ouça o meu chamado, através dos mundos.’

Sobre nascer mulher


Fomos treinadas para brigar umas com as outras, para falar mal da coleguinha, para chamar de vagabunda aquela que não se encaixa nos padrões ou quer nos puxar o tapete. Somos a raça das “desunidas”. E quando tem muita quantidade da nossa espécie, só pode dar em confusão.

Pior se a gente não teve uma boa relação com a mãe... a primeira mulher em nossa vida. Ai que a referência feminina esculhambou geral.

Dessa forma, com um contato tão corrompido com o nosso feminino, optamos por escolher para nós a energia YANG, do masculino, porque ela parece sim um caminho de maior êxito: Pensamos, resolvemos, lutamos, planejamos, estudamos, nos superamos, guerreamos e morremos.

Morremos no que nos é mais caro, nosso amor próprio. Aguentamos a carga e desabamos dentro de nós mesmas.

Vi minha mãe se matar por desilusão, vi amiga morrer por cuidar de tudo menos de si mesma, vi mulheres em profunda depressão por terem seus corações traídos e pendurados fora de casa, vi uma centena desacreditar do amor verdadeiro pela quantidade de buracos que caiu e custou quase a vida se levantar novamente.

Vi passar pelos meus olhos toda a mágoa de ser negada e escanteada, toda a dor de ser traída e toda a confusão de trair, todo o desespero de não se sentir amada e toda solidão de não ser ouvida. Toda a dor de tentar engolir conceitos sociais imorais como verdadeiros, apenas para não se sentir abandonada. E nessa estrada perder a si mesma e quebrar todos os ossos.

E se são essas mulheres que vão parir a humanidade, precisamos curar a nossa irmandade!

É disso que se trata o SAGRADO FEMININO. Estamos falando de CURA. E estamos falando de RESGATE.

Resgate do poder do feminino, um poder que passa pela energia YIN. Que passa por aprender a confiar nessa energia. A energia YIN é passiva, serena, aguarda. Ela atrai. Não vai atrás. É a lua, é introspectiva, silenciosa, perceptiva e intuitiva. Ela caminha um passo antes da mente, que é YANG. Ela conhece dos ciclos e respeita o inverno assim com celebra a primavera.

Com tanta luta e tanta desconstrução da nossa essência, fomos perdemos o contato com a nossa intuição. Com os ciclos da natureza e com o nosso corpo. Os grupos do Sagrado Feminino vem reconstruindo essa ponte tão especial. É um movimento lindo de ver. Estamos curando nossas mulheres, nossas mães, nossas avós e nossas filhas.

E essa cura passa por quatro níveis diferentes: físico, mental, emocional e espiritual.

No plano físico aprendemos a ouvir a sabedoria do nosso corpo. Conhecemos o nosso ciclo menstrual, observamos nossas emoções e como a menstruação muda a cada mês de acordo com o que sentimos e vivemos. Prestamos atenção em cada sinal, uma gripe, uma dor no ombro, uma garganta inflamada. E procuramos olhar as emoções contidas em cada barulho que o nosso corpo faz.

Assim também curamos no nível emocional. Respeitamos o que sentimos, mesmo que não faça sentindo algum. Não negamos e nem sufocamos o que vem a superfície. Deixamos que apareça. E ao invés de nos sentimos loucas, olhamos nos olhos uma das outras e sentimos irmandade. Sentimos acolhimento e principalmente entendimento.

Com esse entendimento mútuo começamos a curar no nível mental. Começamos a descontruir crenças milenares baseadas no patriarcado e no medo de assumir nossa verdade. Revisitamos juntas conceitos sobre sexualidade, fidelidade, submissão, “desespero” para casar e ter filhos e as consequências do novo lugar da mulher “forte”. Começamos a entender que não somos iguais aos homens. Queremos os mesmos direitos, mas não podemos ter as mesmas forças, visto que temos corpos biológicos tão distintos. E nessa busca por essa igualdade, perdemos muito da nossa suavidade, e principalmente do nosso poder.

E o encontro com esse poder vem do aspecto mais sutil da cura, o espiritual. Não falamos de religião, falamos de um contato com um “algo maior”. Nos grupos, todas comungam de uma mesma fonte: A Mãe Terra. O respeito ao sagrado em cada ser, em cada reino - mineral, vegetal e animal. Honramos e respeitamos cada aspecto da mulher sagrada e suas divindades: deusas ocidentais e orientais, seus ensinamentos e suas histórias.

As mulheres foram feitas para estarem juntas. Para se acolherem e se entenderem. Por conta da mentira que nos contaram, que somos inimigas, perdemos uma das nossas mais importantes forças para vencer as estações chuvosas: a irmandade. Nos isolamos, nos confundimos e buscamos os homens para entender nossos ciclos. Como conseguirão, se eles não menstruam?

Certa vez uma mulher querida me perguntou: Beta, será que um dia eu encontro um companheiro que me entenda feito tu? E eu respondi: Lóoogico que não!

Nunca um homem entenderá uma mulher tão bem como outra mulher. O útero é o receptáculo da vida, os ovários a força da transformação. Temos o corpo pronto para criar vida, a nossa vida. O que falta para assumirmos nosso lugar na criação divina e transformar o mundo pelo amor?

Recomendação:
caso receba a visita da tristeza, busque um grupo do Sagrado Feminino mais próximo! Seu útero agradece!”

Para concluir a coluna de hoje, reforço a importância do fortalecimento dos laços femininos, principalmente com a arte de contar história. Assim, cito com muito carinho a Escritora e Psicanalista Norte Americana Clarissa Pinkola Estés (1945): “HISTORIAS...podem ensinar,corrigir erros,iluminar o coração, oferecer um abrigo psicológico, promover mudanças e curar feridas.”
Milhões de beijos iluminados,


Profissional que contribuiu com a coluna (mais uma vez agradeço):

Roberta Rigaud - Alpha Coach e Terapeuta Transgenerativa. Local: Av. Caxangá, 205, sala 708, Madalena, Recife-PE. Contato: (81) 98152.1200. E-mail: [email protected].

* Mariomar Teixeira - Numeróloga & Consultora: de Feng Shui, de 4 Pilares e de Zi Wei Dou Shu. Contatos: (81) 99807.4568 - Tim e WhatsApp / (81) 99100.9617 (Claro) – E-mail: [email protected].

Formada em Secretariado na UFPE com mestrado em Extensão Rural e Desenvolvimento Local na UFRPE. Filha, esposa e mãe. Ama ler, estudar, tricotar e cozinhar. Dedica-se aos estudos de metafísica desde 1980, principalmente Numerologia. Em 1993, além de assumir um concurso público federal, também o trabalho como numeróloga é reconhecido. Colunista da Folha de Pernambuco de 1998 a 2005, coluna Numerologia. No mesmo período foi colunista da Revista Club com as colunas: Holística e Lançamento de livros. Professora e Consultora de Feng Shui desde 1997.

* A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

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