'Saudade' é o novo documentário de Paulo Caldas

Longa-metragem 'Saudade' estreia nesta quinta-feira (5) no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco. O filme reúne depoimentos de artistas e pesquisadores sobre os significados da palavra

Cena do documentário "Saudade", de Paulo CaldasCena do documentário "Saudade", de Paulo Caldas - Foto: Barbara Cunha/Divulgação

"Saudade", de Paulo Caldas, parte de inquietações particulares: o que se move por trás dessa palavra? De que forma afeto, memória e história pessoal moldam o significado do termo para cada um? São perguntas que parecem estar na gênese do documentário do diretor paraibano radicado no Recife. 

O longa, que estreia nesta quinta-feira (5) no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, indica os vastos caminhos de entendimento de "saudade", ouvindo artistas, professores e pesquisadores de diferentes nacionalidades - apenas países de língua portuguesa. 

"O que me levou inicialmente ao filme foi a própria saudade", diz Paulo. "Estava querendo voltar a fazer documentário de longa, mas não queria fazer coisa sobre história e personagens. Queria uma coisa diferente. Em determinado momento, bateu uma saudade das pessoas que me acompanharam no cinema durante muitos anos, como Paulo Jacinto e Germano Coelho, parceiros de conversas e pensamentos. Bateu uma saudade deles e quis fazer o filme sobre esse sentimento, um desafio, algo diferente. Achei que podia ser um bom princípio", detalha o diretor.

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O filme traz depoimentos e experiências de pessoas que ao revelar suas histórias acabam chegando a sentidos únicos sobre o que seria "saudade". 

"A gente foi surpreendido nas conversas. Os entrevistados deram uma grande quantidade de interpretações para a palavra saudade, é praticamente um sentimento pessoal. Se você pegar 100 pessoas terá 100 saudades diferentes", explica Paulo, que entrevista, entre outros, o cineasta Ruy Guerra, o músico Arrigo Barnabé e o escritor Milton Hatoum. 

"É por isso que se fala que a saudade é intraduzível. Como podemos traduzir um sentimento que tem tantas interpretações, que se relaciona tão pessoalmente com cada um? É uma coisa que descobrimos no decorrer do filme e que não tínhamos ideia no começo. Sempre nos meus documentários parto de uma temática que de algo que não conheço e quero conhecer, um destino que ainda não está previsto, uma busca. Uma busca que acho que se estende ao espectador", ressalta o diretor. 

Paulo volta ao documentário, depois de codirigir "O rap do pequeno príncipe contra as almas sebosas" (2000) com Marcelo Luna e se destacar com as ficções "Deserto feliz" (2007) e "País do desejo" (2013). 

"Atualmente o Brasil é o país do Carnaval, do futebol e do documentário. É o país onde mais se produz documentário e de forma mais instigante", opina Paulo. "Minha vontade é que um dia desapareçam os limites entre ficção e documentário", afirma. 

 

Sertão mar

Depois do documentário "Saudade", Paulo Caldas vai voltar à ficção com "O sertão mar", que vai ser filmado no segundo semestre deste ano. "Estamos em pré-produção e começamos a filmagem em agosto, no Brasil e na Alemanha", explica Paulo. 

"A história mistura cangaço e nazismo. Se passa em 1942. O filme trata de duas histórias que acontecem em paralelo: o último casal de cangaceiros, que abandonou tudo fugindo da última volante. Ela quer conhecer o mar. Em paralelo a isso, um submarino alemão naufraga na costa do Nordeste e ali estão dois marinheiros, que acabam batendo na mesma praia dos cangaceiros. É aí em que acontece coisas incríveis", antecipa. 

 

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