Saudosismo não salva a trama de 'Everything Sucks!'

Nova série da Netflix, ambientada nos anos 1990, não se sustenta com história repetitiva

Série se passa na cidadezinha de Boring, nos Estados UnidosSérie se passa na cidadezinha de Boring, nos Estados Unidos - Foto: Divulgação

Quando o trailer de “Everything Sucks!”, nova série da Netflix, foi divulgado, parecia óbvio, mas também convidativo, o que a plataforma digital planejava: apostar na crescente onda de nostalgia ao produzir uma série ambientada nos anos 1990. Afinal, depois do sucesso de “Stranger Things”, que se passa na década de 1980, é notável o quanto o sentimento de saudosismo está em alta. “Everything Sucks!” prometia relembrar fitas VHS, internet discada, músicas marcantes, calças de cintura alta… tudo para que o público abraçasse a série como sua juventude reavivada.

A narrativa se inicia com o trio de amigos Luke (Jahi Winston), McQuaid (Rio Mangini) e Tyler (Quinn Liebling) entrando no ensino médio e também para o Clube de Vídeo, na tentativa de serem mais populares. De cara, Luke começa a gostar de uma menina, Kate (Peyton Kennedy), e a história gira basicamente em torno dos dois: Luke, em sua ânsia de conquistá-la, e Kate, um misto de timidez com incerteza, que começa a perceber que talvez não goste de garotos.

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Para o grupo de protagonistas também entram Oliver (Elijah Stevenson) e Emaline (Sydney Sweeney), estudantes mais velhos que participam do Clube de Teatro; e os pais de Luke e Kate, Sherry O'Neil (Claudine Mboligikpelani Nako) e Ken Messner (Patch Darragh), o diretor da escola. A série é toda filmada por uma câmera bamba, que dá zooms inusitados e se movimenta como as filmagens feitas antigamente.

O problema é que nem só de referências e tendências saudosistas vive uma produção televisiva. “Everything Sucks!” não se sustenta pela sua história nem pelos seus personagens, parecendo mais uma repetição do que já foi feito, sem ideias novas. Mesmo a trama mais interessante, a descoberta da sexualidade de Kate, não salva o enredo da mesmice de uma narrativa que se passa no ensino médio de uma cidade pequena e chata (o nome, Boring, faz justiça) e não se renova.

Os personagens são extremamente caricatos e, apesar de em algumas horas chegarem a ser engraçados, não cativam tanto quanto deveriam (as atuações também não ajudam nesse quesito). O que poderiam ser grandes reviravoltas da narrativa são feitas de forma trivial e sem grandes contextos, parecendo decisões preguiçosas — e óbvias — para facilitar o roteiro.



A produção se esforça para lembrar que se passa nos anos 1990, mas as maiores referências são apenas musicais (e, apesar da música ser, sim, uma grande parte da cultura de uma época, não se pode depender só disso). Outras, inseridas um pouco aleatoriamente ao longo da narrativa, parecem forçadas e não conseguem provocar o grande suspiro de memória afetiva que se esperava.

A série parece ter mirado em virar a mais nova tendência da Netflix, mas acertou apenas em ser uma produção morna, à qual se pode assistir sem grandes comprometimentos e só porque o esforço de pegar o controle remoto não vale a pena.

Cotação: Regular

 

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