Sebá abre "Janeiro" com o espetáculo “Olha pro céu, meu amor”

Homenageado do Janeiro de Grandes Espetáculos, mamulengueiro se apresenta no Teatro de Santa Isabel

Universidade Federal de PernambucoUniversidade Federal de Pernambuco - Foto: Rafael Furtado/ Folha de Pernambuco

 

Foi por causa da “tela grande” que Sebastião Alves, mais conhecido como Sebá, resolveu abraçar a carreira artística. Quando criança, fugia da padaria onde trabalhava para ir ao cinema, mesmo que para isso tivesse que pular o muro e entrar escondido na sala de exibição. “Meu sonho era ser um astro dos filmes de faroeste, assim como o Roy Rogers”, relembra o ator.

Como não havia teatro em sua terra natal, Sertânia, ele só foi entrar em contato com as artes cênicas na adolescência, quando se mudou para Caruaru. Desde então, é nos palcos onde ele realiza seu sonho de infância. Homenageado do 23º Janeiro de Grandes Espetáculos, o ator poderá ser visto em “Olha pro céu, meu amor”, peça que abre o festival, baseada em parte de sua trajetória, nesta quinta-feira (12), às 20h, no Teatro de Santa Isabel.

Aos 15 anos, Sebá fez as malas e foi morar com o irmão mais velho na capital do Agreste. Por lá, em 1979, conheceu o Grupo de Teatro Ivan Brandão, com o qual encenou a peça “Solte o boi na rua”, escrita por Vital Santos e dirigida por Nildo Garbo. “Ainda me lembro daquele momento. Eu me sentia como os heróis que via nos filmes. Na verdade, sempre que subo ao palco, me sinto como um herói”, confidencia. Mas, antes de viver esse sentimento, o artista foi tentar a sorte no Rio de Janeiro. Pensava que, em terras cariocas, conseguiria trabalhar como ator. Tudo o que conseguiu, no entanto, foi um emprego nas obras do metrô. A história serviu de inspiração para Vital criar o espetáculo “Olha pro céu, meu amor”, em 1983.

Quando estava no elenco de “A noite dos tambores silenciosos” (1981), Sebá descobriu uma de suas maiores paixões: o teatro de mamulengo. Uma cena com tenda de bonecos foi o estopim para que ele criasse, em 1985, o Teatro Mamusebá. Atualmente, a companhia se apresenta em dois palcos: o Teatro Oficina Mamusebá, localizado na região central de Caruaru, e o Teatro Garagem Mamusebá, que funciona na própria casa do artista. “O que mais me encanta é poder me comunicar com as crianças. Através do mamulengo, é possível levar um pouco da nossa cultura popular até elas”, afirma.

Homenagem


A notícia da homenagem do Janeiro de Grandes Espetáculos foi recebida por Sebá com um misto de surpresa e gratidão. Há 11 anos, nesse mesmo festival, ele subia ao palco do Teatro de Santa Isabel em meio ao tratamento de um câncer. “Eu enganei o médico para conseguir a permissão. Disse que fazia apenas figuração, mas o meu papel era de protagonista. Eu estava muito debilitado, pesava apenas 25 kg, mas não queria deixar de sentir esse prazer. Depois, fiquei 30 dias internado no hospital”, revela. Completamente recuperado, ao lado do Grupo Feira de Teatro Popular, ele garante que tem fôlego de sobra para encantar a plateia recifense. “No próximo dia 20, completo seis décadas, mas me sinto um jovem de 18 anos, pronto para mostrar minha arte”, diz.

Serviço:
Espetáculo “Olha pro céu, meu amor”
Quando: quinta-feira (12), às 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio)
Quanto: R$ 40 e R$ 20 (meia-entrada)
Informações: (81) 3355-3323

 

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