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NOVELA

Sergio Guizé se despede do lúdico Candinho, de ''Êta Mundo Melhor'': ''fazer novela não é fácil''

Candinho se prepara para subir ao altar com a vilã Zulma, de Heloisa Périssé

Sérgio Guizé se despede pela segunda vez do personagem CandinhoSérgio Guizé se despede pela segunda vez do personagem Candinho - Foto: Divulgação/Globo

Sérgio Guizé tem a chance rara de se despedir de um personagem pela segunda vez. Na reta finalíssima de ''Êta Mundo Melhor'', o intérprete de Candinho encara essa nova etapa com maturidade e consciência de que o personagem se tornou um marco em sua carreira e na vida de tantas pessoas.

Ao mesmo tempo em que vive esse momento de despedida, Guizé também vislumbra novos caminhos para o personagem no futuro. O ator acredita que Candinho ainda tem muito a oferecer, seja em novas histórias ou até em uma continuação daqui a alguns anos.

''Eu acredito que ele ainda tenha muita lenha para queimar. É um personagem que pode participar de muitas histórias ainda'', aponta.

Nos últimos capítulos da novela das seis, Candinho tem passado por inúmeras provações. Para tirar da cadeia a amada Dita, papel de Jeniffer Nascimento, o personagem se prepara para subir ao altar com a vilã Zulma, de Heloisa Périssé.

''Foi uma novela muito emocionante. E até nas últimas semanas de gravação eu tenho me emocionado muito com as cenas'', valoriza.

P – Como você descreve essa volta ao personagem e o impacto que gerou ao longo dos últimos meses?
R – Foi emocionante e cheio de aventuras. Acompanhar o crescimento das crianças foi especial, como o Tom Zé, que fazia o Joaquim e nem falava direito e hoje já é um menino cheio de energia. Além disso, foi bonito ver o desenvolvimento artístico de todos os personagens, que cresceram junto com o projeto. Eu costumo dizer que estamos em um cruzeiro em alto-mar, todos trabalhando muito para dar conta das personagens. Candinho vive em um outro tempo, diferente do meu, e exige que eu esteja pronto para receber tudo, como se fosse uma bola batendo no peito em um jogo de futebol: preciso dominar e devolver.
P – Quais foram os maiores desafios para dar vida ao Candinho novamente?
R – O grande desafio foi manter a energia positiva sempre lá em cima. Candinho demanda uma presença constante, física e espiritual. Eu precisava estar preparado para sustentar essa vibração otimista, mesmo em momentos pessoais difíceis. Foram 11 meses de gravação e nesse período perdi amigos, mas me inspirei na filosofia do personagem: acreditar que tudo de ruim acontece para melhorar. Isso me ajudou a seguir com força e entregar o que ele pede.
P – O início do projeto foi atravessado por uma série de mudanças, especialmente na escalação. Como você enfrentou esse processo?
R – Passei por uma fase complicada e não me preparei direito. Houve mudanças no elenco, como a saída da Bianca Bin e a entrada da Jennifer, além da troca do Professor Pancrácio pelo Asdrúbal, vivido pelo Luis Miranda, que eu já admirava desde o teatro. No início fiquei inseguro, mas depois percebi que juntos transformaríamos tudo em algo maravilhoso. Foi um processo de adaptação, mas que trouxe grandes encontros e fortaleceu a história.
P – O que mudou em você como ator ao revisitar Candinho agora, mais maduro?
R – Hoje encaro com mais cuidado. Em 2016, fiz muitos eventos e aproveitei de outra forma. Agora, me guardei para entregar o melhor, consciente de que o personagem ficará registrado. Likes e aplausos passam, mas o trabalho fica. Planejei cada detalhe para não comprometer a entrega. Evitei distrações, recusei shows, porque sabia que precisava estar inteiro. Candinho exige dedicação total e eu quis honrar isso com maturidade e responsabilidade.
P – O Candinho tornou-se um personagem bastante popular entre o público. Como você lida com esse reconhecimento e o fato de ser chamado mais pelo personagem do que pelo seu próprio nome?
R – No início, não estava preparado para a repercussão que teria o Candinho. Hoje, com 45 anos, vejo que é o personagem mais popular da minha vida. As pessoas me chamam de Candinho, Chiclete ou Gael, nunca pelo meu nome. Às vezes até de Selton (Mello), e me agradecem por ter feito ''Ainda Estou Aqui'' (risos). Esse personagem chega a lugares onde não há saneamento básico, mas a tevê está ligada. Ele comunica com crianças, gerações, classes sociais. É o personagem mais importante da minha vida até agora, porque atravessa fronteiras e fala com todos.
P – Como foi esse trabalho de redescoberta do Candinho ao longo de seu processo de composição?
R – Tive muitas referências. Além da memória da minha avó, que falava como ele, busquei referências no cinema: Mazzaropi, Chaplin, Buster Keaton. Também li Voltaire, que inspirou parte da história. E claro, minhas experiências no teatro e no circo. Tudo isso ajudou a construir essa mistura que é o Candinho. Minha avó acreditava em coisas como mula sem cabeça, e isso me conecta com a ingenuidade e a fé do personagem. Candinho é resultado dessa soma de memórias afetivas e referências artísticas.
P – Você toparia viver o Candinho por uma terceira vez no futuro?
R – Toparia, sim, mas sempre com preparação. Fazer novela não é fácil: você entra no meio de um rio e precisa ter forças para voltar, entregar o personagem com segurança e qualidade. É um trabalho coletivo, não dá para individualizar, e cada oportunidade é um grande aprendizado. Se viesse uma nova chance, eu me prepararia de novo como se fosse outro Candinho, buscando memória emotiva e me fortalecendo para cumprir essa missão. Não dá para entrar de corpo mole, é preciso tempo e dedicação para dar voz a uma história tão maravilhosa como ''Êta Mundo Bom!''. Já pensou em uma continuação daqui a 10 anos? Seria lindo. Poderia ser ''Êta Mundo Pra Lá de Bom'' ou até ''Êta Mundo Perfeito''. Mas, seja quando for, eu só aceitaria se pudesse me preparar para entregar o melhor

''Êta Mundo Melhor!'' – Globo – Segunda a sábado, às 18h30.

Responsabilidade social
Para Sérgio Guizé, o personagem Candinho chega ao fim de ''Êta Mundo Melhor!'' indo além do entretenimento. O lúdico herdeiro é um exemplo de atitudes corretas para o grande público. ''É isso que ele passa, uma mensagem de respeito e de bons conselhos'', afirma.
 
Ao longo da novela, ele também recordou sua experiência como professor em escolas públicas, quando sentia dificuldade em transmitir certas lições apenas pela aula. Para Guizé, conviver com um personagem como Candinho é diferente, porque ele inspira boas atitudes diariamente na tevê.

''Acredito que precisamos de bons exemplos e acompanhar Candinho todos os dias é uma forma de absorver essa mensagem de que até o que acontece de ruim pode servir para melhorar'', aponta.

Trupe em cena
Sérgio Guizé, que é cria do teatro e carrega consigo o sentimento de trupe, valoriza profundamente a parceria e a troca artística no trabalho coletivo. Para ele, contracenar com Jennifer Nascimento foi uma dessas experiências que reafirmam a importância da união em cena. Além da força artística, ressalta a amizade e a confiança que os dois construíram, o que tornou a jornada ainda mais especial: “Quando soube que seria ela, tive certeza de que nos divertiríamos e nos emocionaríamos juntos”, elogia.

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