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Artes Visuais

Sérgio Lemos: mais de cinco décadas dedicadas à pintura

Artista plástico pernambucano segue produzindo e prepara sua biografia para o próximo ano

Sérgio Lemos, artista visual pernambucanoSérgio Lemos, artista visual pernambucano - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Parar alguns minutos para conversar com o pernambucano Sérgio Lemos é ter a oportunidade de ouvir dezenas de histórias que só alguém que vive a arte intensamente é capaz de contar. Aos 71 anos de idade, o artista plástico acumula mais de cinco décadas de uma carreira dedicada à produção cultural, seja brilhando em exposições no Brasil e no exterior ou encabeçando projetos dos mais diversos tipos.

Pintor de renome que atravessa as fronteiras pernambucanas, Sérgio iniciou sua caminhada profissional na antiga Escola de Belas Artes do Recife, ligada à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde estudou de 1966 a 1970. Muito antes da educação artística formal, a paixão pelo desenho já tomava conta dos pensamentos do menino que passou a infância entre a Capital pernambucana e a fria Garanhuns, no Agreste do Estado.

“Desde pequeno, sempre gostei de desenhar. Fazia isso nos meus cadernos de escola e minha mãe reclamava muito, porque assim eu não prestava atenção nas aulas. Fui me interessando cada vez mais e, como não havia muita diversão no Interior, no meu tempo livre eu lia sobre os grandes artistas”, relembra o artista.

Já formado na Escola de Belas Artes, Sérgio quis atender à vontade do pai, que havia morrido em um acidente de automóvel. Estudou medicina em Portugal, entre 1970 e 1975, mas não deu prosseguimento ao exercício da profissão. “Até poderia ter me tornado um bom médico, já que gostava muito da área de genética. Mas o meu maior dom sempre foi a arte”, pondera.

O período do pintor em terras lusitanas não foi motivado apenas pela vontade de cursar Medicina. O regime ditatorial imposto pelos militares era uma ameaça real para o jovem artista, que chegou a ser filiado ao antigo Partido Comunista (PC). “Foi muito difícil. A perseguição era real e muitos artistas que discordavam da ideologia que estava no poder, assim como eu, só tinham a opção de ir embora", conta.  
 

A estreia de Sérgio em uma exposição ocorreu ainda no Recife, em 1968, na antiga galeria Casa Holanda, no Bairro da Boa Vista. Ao desembarcar na cidade de Porto, as portas do mundo se abriram para a arte do pernambucano, que conviveu com importantes artistas portugueses, como o pintor Júlio Resende e o escultor Zulmiro de Carvalho. “Apesar do contexto de exílio, foi uma vivência fantástica e que me deu a base para trabalhar até hoje”, diz o pintor, que também expôs em países como Estados Unidos, Colômbia, Suécia, Alemanha e México.

Com tinta e pincel nas mãos, Sérgio faz brotar a imagem - que primeiramente nasce em sua mente criativa - nas mais diferentes superfícies, materiais como tela, madeira, cartão ondulado, juta e papelão, alguns retirados do lixo. As mais diferentes temáticas permeiam a sua mente fértil, desde belas paisagens até o corpo humano nu, passando por manifestações folclóricas e críticas sociais ácidas.

“O que me move a pintar é tudo aquilo que me chama atenção, aquela imagem forte, que causa um impacto imediato. Costumo trabalhar sempre com séries, porque consigo estudar e desenvolver bem um tema, até surgirem outros”, comenta o artista. Algumas das obras mais conhecidas são as séries envolvendo os Papangus de Bezerros, figuras às quais Sérgio dedica um livro com lançamento previsto para outubro, durante a próxima Bienal Internacional do Livro de Pernambuco.

O ativismo cultural do pernambucano transcende o exercício da pintura. Formatou o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), ajudou a fundar a Associação de Artistas Plásticos Profissionais de Pernambuco (AAPPE), organizou blocos carnavalescos, entre outras iniciativas. Já vacinado contra a Covid-19 e produzindo intensamente, o pintor enumera os planos para 2022, torcendo por uma mudança significativa no atual quadro pandêmico. Ele vem negociando a realização de, pelo menos, três exposições em Portugal, além de outras no Brasil. Também quer levar adiante a ideia de publicar sua biografia, que será escrita pela historiadora Valda Colares.

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