Crítica

Série "Bom Dia, Verônica" é thriller perturbador e instigante

Tainá Müller interpreta escrivã da polícia que resolve insvestigar crimes contra mulheres

Série é uma adaptação do romance policial homônimoSérie é uma adaptação do romance policial homônimo - Foto: Suzanna Tierie/Netflix/Divulgação

Seja na TV ou no cinema, o universo policial costuma ser bastante explorado pelo audiovisual brasileiro. A série “Bom Dia, Verônica”, no entanto, se afasta das cenas de perseguição em favelas cariocas e entrega uma trama de suspense macabra e instigante. Com oito episódios, a primeira temporada da nova produção nacional da Netflix - que tem tudo para viciar o espectador - estreia no dia 1º de outubro.

Adaptação do livro homônimo dos escritores Ilana Casoy e Raphael Montes, o seriado conta a história de Verônica (Tainá Müller), uma escrivã da polícia que presencia um caso de suicído na delegacia onde trabalha. Determinada a descobrir o que está por trás do ato desesperado, ela acaba encontrando mulheres vítimas de violência e resolve lutar contra tudo e todos para ajudá-las. 

O título da produção é simbólico. Ele revela o despertar da personagem, que por um trauma do passado acaba deixando de lado seu talento como policial para se dedicar ao trabalho burocrático. A total inércia de seus colegas frente aos crimes descobertos faz com que ela resolva ir além das suas funções, mergulhando em investigações paralelas. Enquanto avança nas pistas, a personagem esbarra na resistência dos seus superiores, percebendo que outros interesses podem estar moldando o trabalho na delegacia. 

Com nomes como Antônio Grassi e Elisa Volpatto no elenco, “Bom Dia, Verônica” desperta o interesse no público da primeira até a última cena. Sem necessariamente apresentar um emaranhado de pistas desconexas, como é comum às produções do gênero, a trama consegue ser cheia de reviravoltas e, ao mesmo tempo, de fácil compreensão. 

É importante avisar que, em vários momentos, a série é simplesmente perturbadora. Indicada para maiores de 18 anos, a produção contém imagens chocantes de mortes e agressões. Eduardo Moscovis interpreta Brandão, um psicopata que escolhe suas vítimas - todas mulheres - em uma rodoviária. Ele ainda obriga a esposa, vivida por Camila Morgado, a colaborar com os crimes. Há cenas fortes de violência física, psicológica e sexual, o que é difícil de encarar na tela. 

Além de uma narrativa eletrizante, os episódios oferecem ao público uma trama que tem como bandeira a luta feminista. Seja nos crimes que investiga ou no seu próprio ambiente de trabalho, Verônica encontra reflexos de uma sociedade machista, que tenta aprisionar as mulheres como pássaros (essa, aliás, é a metáfora que o serial killer da história usa recorrentemente). Por mais que a batalha da policial pareça perdida em determinados momentos, a série entrega em seu episódio final um fio de crença na justiça (ou na vingança) e um gancho para uma segunda temporada, que deve aprofundar as transformações vividas pela heroína. 

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