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Série Castlevania é banho de sangue de vampiro

Baseado em um jogo lançado no Japão em 1989, programa da Netflix já tem 4 episódios na primeira temporada

Série CastlevaniaSérie Castlevania - Foto: Divulgação

 “Se colocar um balde em baixo da TV, ele enche de sangue”, essa foi a frase usada por um grupo de jovens que adoraram a primeira temporada da nova série de animação da Netflix: "Castlevania". O anime é baseado em um jogo lançado no Japão em 1989, da franquia de games da Konami, feito inicialmente para o Nintendo, o “Castlevania 3: Dracula’s Curse”.

A primeira temporada, composta por quatro episódios de 24 minutos cada, tem um enredo, além de sangrento, intrigante.

Assista ao teaser aqui:

 

A história se passa em 1476, quando o conde Vlad Drácula de Tepe inicia um genocídio na Europa com um exército de demônios porque sua esposa, uma cientista humana, foi morta pela igreja como bruxa em uma fogueira enquanto ele viajava.

O caçador de seres sobrenaturais Trevor Belmont iniciará uma jornada para derrotar Drácula e seu exército. Quem o acompanha é a speaker Sypha Belnades, que possui poderes mágicos, e o filho de Drácula, Alucard.
A primeira temporada é mais um prólogo do que a história em si, explicando tudo o que levou Drácula a se revoltar com a humanidade, a clara obsessão da igreja pelo poder e a formação do grupo que defenderá os humanos das trevas e entrará no caminho da instituição religiosa.

Apesar de ter algumas diferenças em relação ao jogo, como Sypha ser reconhecida como mulher desde o início - no jogo isso não fica claro até o final- e o romance do Drácula com sua esposa humana -que não aparece no game no qual a série foi baseada- a história é muito bem construída, com cuidados dedicados aos detalhes e ao enredo. 

 Um exemplo é o relacionamento entre Drácula e a cientista: em pouquíssimas cenas no primeiro episódio é possível sentir a profundidade dos sentimentos do vampiro para com a esposa.  Ela quase mudou-o para melhor. A independência da cientista, a coragem, e o quão à frente de seu tempo era, são traços de personalidade que a diferenciam dos outros personagens.

 Também a forma como a igreja se apresenta manipuladora e as reações variadas das pessoas nas cidades massacradas mantêm a crueza necessária para gerar o velho, mas sempre atual, questionamento: seria a raça humana tão monstruosa quanto a das bestas que estão devastando cidades?

Em contrapartida, o “herói” Belmont aparece como um bêbado que perdeu tudo ao ter a família excomungada pela igreja por trabalharem contra “o oculto”. Ele se mantém extremamente humano ao se preocupar com aqueles que não possuem meios de se defender. E não é fácil: o homem está passando por conflitos internos e não aparenta ter um real objetivo, até que outros o inspirem a sair de sua inércia.

 Representando a força e a independência feminina - e nesse ponto a série até agora acertou - Sypha não abaixa a cabeça para Belmont quando ele ordena que vá embora. A speaker vai para a batalha e se afirma como dona de seu destino, deixando claro que sabe cuidar de si muito bem. Poderosa e determinada, Sypha é um exemplo de personagem feminino que foge ao padrão “princesa que grita o tempo todo” e vai lutar em defesa do que acredita.

O mais misterioso e, provavelmente de forma proposital, pouco trabalhado, é Alucard, o filho do vampiro com a humana cientista, que desafia o pai e possui poderes sinistros. Ele é um dos elementos que deixam o expectador com vontade de assistir mais.

Não é uma animação para crianças, tem muita violência e uma trama séria. Trata do real e do místico misturados para criar uma história sombria, cheia de ação e enredo. O fechamento pede por mais episódios.

Esperemos que a Netflix a atualize logo para sabermos a continuação, afinal, quatro episódios serviram somente para dar um gostinho: o prato principal ainda não foi servido.

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