Série 'One Day At A Time' aborda temas difíceis com humor

Comédia chega à segunda temporada discutindo imigração, racismo, lesbianidade e depressão

Segunda temporada de "One Day At A Time" já está disponível na NetflixSegunda temporada de "One Day At A Time" já está disponível na Netflix - Foto: Divulgação

Uma característica importante para séries televisivas parece ser que ela traga, para seu enredo, questões atuais. Por ser uma comédia, “One Day At A Time”, série original da Netflix que chega agora a sua segunda temporada, poderia se contentar em mirar nas piadas fáceis, em atingir um público mais imediato que consumiria a série com mais leviandade. Escolhe, contudo, um caminho contrário: toma riscos, decide debater temas importantes entre uma piada e outra, fazendo com que discussões como imigração, racismo, lesbianidade, depressão e controle de armas sejam incluídas na narrativa com facilidade, sem parecer forçado.

Mas isso não é novidade. A própria escolha de retratar uma família de origens cubanas, em contraponto com a família branca que era destaque na edição original da série, em 1975, diz muito sobre os caminhos que os escritores Gloria Kellett e Mike Royce tinham em mente. No estilo de séries de comédia antigas, “One Day...” se passa quase sempre em cenários fixos, sendo o principal deles o apartamento dividido pela família Alvarez: Penélope (Justina Machado), seus dois filhos, Elena (Isabella Gomez) e Alex (Marcel Ruiz), e sua mãe, Lydia (Rita Moreno).

Leia também:
Marco das séries de TV, 'Breaking Bad' completa dez anos
Série 'The End of The F**king World' aposta em humor ácido e debate transtornos mentais
Filhos querem conversar sobre série com os pais


E, para não que não haja dúvidas sobre seu teor político, a segunda temporada começa com um episódio emocionante sobre como lidar com racismo e o preconceito contra imigrantes nos Estados Unidos - uma coisa em comum entre todos os integrantes, da mais velha, a avó Lydia, que procurou exílio durante a ditadura cubana, há 50 anos, ao mais novo, Alex, filho caçula de Penelope. Um peso que precisam lidar, mas também combater.

Depois do contato inicial com a narrativa, a segunda temporada da dramédia acerta na medida em que explora a história de cada um dos personagens, tornando-os ainda mais profundos e interessantes. Nessa temporada, Penelope equilibra faculdade, trabalho e família enquanto tenta compreender sua depressão; Elena, agora devidamente assumida, explora suas primeiras paixões por garotas e lida com a rejeição de seu pai; e Lydia tenta aceitar não ser mais uma cidadã cubana. Até o vizinho Schneider (Todd Grinnell) e o Dr. Berkowitz (Stephen Tobolowsky), chefe de Penelope, ganham mais foco como membros da família.



O elenco, mais uma vez, não falha: é afiado e possui uma sintonia inegável. Ruiz brilha como o charmoso Alex, Moreno dá show como a glamurosa Lydia, Gomez cativa como a vibrante Elena e Machado rouba a cena como Penelope (com performances emocionantes, é sem dúvidas um nome para ficar de olho na disputa do Emmy). A química da família é tanta que não é estranho ao telespectador sentir a familiaridade que flui da série.

Por fim, a segunda temporada de “One Day At A Time” tece histórias plurais, mas, ao mesmo tempo, particulares e pessoais. Faz questão, por exemplo, de deixar claro os tempos difíceis perante a era Trump, com alfinetadas direcionadas à Casa Branca durante toda a temporada, e apresenta como a família é afetada pelo medo do preconceito que domina o governo. Conta histórias relevantes e atuais, tornando seus personagens profundamente críveis. E demonstra muita empatia ao fazê-lo, sem deixar de apresentar uma atmosfera leve e humorística.

Cotação: Ótimo

Veja também

Priscilla Alcantara mostra bastidores da gravação de 'Vou Voar', tema de filme da Netflix
Netflix

Priscilla Alcantara mostra bastidores da gravação de 'Vou Voar', tema de filme da Netflix

Márcio Gomes deixa a Globo pela CNN Brasil
Jornalismo

Márcio Gomes deixa a Globo pela CNN Brasil