SID3 mostra o som lúdico da Zona da Mata no Museu do Estado

Diversidade cultural da região pode ser ouvida no show "Sacrifício e Fé" do músico, neste sábado (24), no projeto "Ouvindo e Fazendo Música"

Artista transita por diversos ritmos, como ska, reggae, rock e música eruditaArtista transita por diversos ritmos, como ska, reggae, rock e música erudita - Foto: Ronaldo José/Divulgação

O som da Zona da Mata Norte reverbera pela bateria percussiva de Sidclei Almeida, mais conhecido como SID3. O número da sorte acompanha o nome artístico de quem exalta a diversidade cultural de Tracunhaém ao tocar sua bateria artesanal de enxadas.

Neste sábado (24), a capital de Pernambuco recebe o músico às 17h, no Museu do Estado de Pernambuco, através do projeto Ouvindo e Fazendo Música, do Santander. Na apresentação do seu trabalho solo, ele é acompanhado pelo baixo de Daniel Fino, teclado de Diego Drão, trombone de vara de Izídio e guitarra de Yuri Queiroga. O álbum estará à venda por R$ 20 e a entrada para o show custa R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia-entrada).

Intitulado "Sacrifício e Fé", o show pretende trazer o espírito lúdico da Zona da Mata, que perpassa sonoridades como o ska, o reggae, o rock e a música erudita. "Também tem afrobeat, maracatu rural... ele tem um lado espiritual e o lado da floresta, com o espírito do afro-indígena. São 12 faixas nas quais a gente mescla muita coisa, porque prestamos várias homenagens", lembra Sid.

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"É um show de um disco autoral, que vem recheado do que está acontecendo hoje. Ele é todo especializado nesse tema, a fé está dentro de tudo e as pessoas têm que procurá-la melhor", complementa, lembrando que a gravação do disco foi toda feita no Casona, um estúdio em Candeias, um lugar entre o mar e a mata que teve um papel grande no encontro das energias certas para a produção do disco.

Para Sid, viver de música na Mata Norte é sinônimo de resistência

Para Sid, viver de música na Mata Norte é sinônimo de resistência - Crédito: Cristiano Bivar/Divulgação

É, enfim, um álbum cheio de histórias, apesar de não trazê-las em letras cantadas. "Ele fala da questão dos pajés, do Rio Tocantins... eu não pude cantar, porque se eu cantasse eu faria muita crítica", comenta. Para o público entender o significado de cada música, Sid as explica antes de tocar. "Falo para que as pessoas possam entender os sentimentos passados ali. Entender a sanfona, que me lembra do tempo que meu avô era sanfoneiro e tinha uma solidão do São João. São essas lembranças que vêm através dos instrumentos, lembranças de tristeza, melancolia", diz. Palavras que vêm também para afirmar e reafirmar a Zona da Mata como algo para além do rural.

Para Sid, viver de música na Mata Norte é sinônimo de resistência. "A Mata Norte tem uma riqueza muito forte na diversidade cultural, só que a gente não tem apoio. Essa grande onda de shows levam esse espírito da Mata para o Recife. A bateria é muito diferente, o som é muito louco, e para quem é da Mata já é normal, acostumou, porque é uma coisa própria e natural. Pernambuco tem uma diversidade cultural muito forte, e as pessoas, às vezes, ficam acomodadas e acham que é isso. Tem muita coisa que existe e a Capital ainda não tomou conhecimento", analisa.

 

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