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Silva interpreta canções de Marisa Monte no Teatro Guararapes

'Eu não enxergo música com rótulos e barreiras', afirmou o cantor capixaba em entrevista à Folha de Pernambuco

Silva Silva  - Foto: Breno Galtier/Divulgação

Foi uma admiração profunda, daquelas que só um fã consegue sentir, que levou o cantor Silva a dedicar um projeto inteiro em homenagem à cantora Marisa Monte. Lançado em 2015 e transformado em álbum no ano seguinte, o show “Silva canta Marisa” já rodou diversos cantos do Brasil e desembarca em Pernambuco pela primeira vez nesta sexta-feira (20), a partir das 21h, no Teatro Guararapes. Em entrevista à Folha de Pernambuco, o artista capixaba falou sobre o tributo, novos trabalhos e o atual momento na carreira.

Conte um pouco sobre a sua relação com a obra de Marisa Monte. O que te fez pensar em um projeto dedicado às músicas dela?

Lembro que fiquei apaixonado pelo “Memórias, crônicas e declarações de amor” e depois disso comecei a ouvir tudo dela. Ela é uma das minhas cantoras prediletas, e sempre admirei o carinho com que ela sempre tratou a música brasileira. Hoje, conhecendo bem a Marisa pessoalmente, sei que ela ouve de tudo e é muito aberta às inovações, mas acho que ela é uma das maiores responsáveis pela maneira como nós, brasileiros, passamos a ouvir e tratar nosso passado musical.

“Silva canta Marisa” fez e continua fazendo sucesso entre o público. Que importância teve esse projeto na sua trajetória?

Esse projeto me fez sair da minha bolha, me apresentou para muita gente que ainda não conhecia meu trabalho e diversificou ainda mais o meu público. Sou muito grato a esse projeto por ter me trazido tantas coisas boas. Inclusive eu acho que fiquei musicalmente ainda mais brasileiro depois desse álbum e turnê.

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Você fez outros trabalhos depois de “Silva canta Marisa”, como os discos “Brasileiro” e “Bloco do Silva”. Pretende cantar algo desses álbuns ou de anteriores no show desta sexta?

O público sempre pede músicas dos meus outros projetos, mesmo nesse show dedicado à obra de Marisa. É um momento que curto ser intérprete e descanso meu trabalho de compositor. Mesmo assim eu encaro as versões como se fossem composições minhas, gosto de colocar minha cara e meu jeito em todas elas. “Feliz e Ponto” é a única música minha que entra no show, além de “Noturna”, que compus com Marisa e meu irmão Lucas.

Assim como ocorreu com Marisa, no “Bloco do Silva” você homenageia outros artistas brasileiros, como Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Ivete Sangalo. Essas referências influenciam a sua música de que maneira?

Gosto de tudo que me tira do meu lugar de conforto, caso contrário eu fico muito entediado. Quando eu flerto com um repertório diferente do meu eu aprendo muitas coisas e isso com certeza muda e influencia o meu trabalho. Acho que isso, além do prazer que me causa, me ajuda a me reinventar e a criar coisas que me causem surpresa.



Observando a sua trajetória artística, você surgiu midiaticamente dentro do nicho indie e foi ficando cada vez mais popular, abraçando o axé e gravando com nomes como Anitta e Ludmilla. Essa transformação foi pensada? Em algum momento você decidiu mudar os rumos da sua música?

Sou músico, sou brasileiro e tenho a cabeça aberta para estilos musicais bem diferentes, talvez esse seja o caminho para explicar essas transformações. Eu não enxergo música com rótulos e barreiras, deve ser por isso que consigo misturar muitos gêneros numa música só. Gosto muito disso.

Você já veio com a turnê de "Brasileiro" no ano passado. Quando o “Bloco do Silva” deve chegar a Pernambuco?

Espero que logo. Estou me divertindo muito com esse show.

O ano está terminando. O que houve de mais positivo em 2019 para você e quais são os planos para 2020?

Esse foi um ano dificílimo para todo mundo em muitos aspectos, mas ao mesmo tempo foi um ano de muito aprendizado. Passei por momentos difíceis, de muito trabalho, sem muito tempo para a vida normal e foi bom poder ver a importância de equilibrar isso tudo, trabalho, amigos, amores. Em 2020 eu espero criar muito e ajudar a espalhar boas energias por aí.



Você vem de uma família evangélica. Seu irmão, inclusive, fez sucessos como cantor gospel e você chegou a trabalhar nesses projetos com ele. Qual é a sua relação com a espiritualidade?

Sou muito grato à minha família pela minha formação, mesmo com todos os defeitos que há em toda família. Hoje eu não me considero mais um cara religioso, mas respeito e admiro muito a fé das pessoas e tenho buscado isso da minha forma. Medito sempre que posso e nos momentos de aperto eu ainda oro. Acho que estou reconstruído minha fé aos poucos, sem pressa e sem ninguém me dizendo como ela tem que ser.

Ao contrário de outros artistas, você costuma ser mais reservado sobre sua vida pessoal nas redes sociais (embora não esconda nada). Você parece ser mais tímido, mas alguns fãs (nos shows ou nas redes sociais) costumam ter um comportamento mais “atirado”. Como lida com o assédio do público? Acha que é algo que contribui para a construção de uma imagem como artista popular?

Realmente eu não escondo nada, mas também não saio por aí divulgando coisas que não têm muito a ver com a minha música. Não vejo nada de errado nisso, é só meu jeito de encarar as coisas. Nunca gostei de fofoca e do mesmo jeito que não gosto de falar da vida dos outros eu também não gosto que falem da minha. Fora isso, acho muito divertido o jeito que os fãs me abordam. É sempre tudo com muito respeito, mesmo nas brincadeiras mais ousadas. Se eu não gostasse disso eu estaria fazendo outra coisa da vida.

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