Sintonia d'Os Paralamas do Sucesso em show no Teatro Guararapes

Banda de rock mostra o repertório do novo disco 'Sinais do Sim', além de sucessos da carreira

Banda, composta por Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone, volta a Recife com show completo de "Sinais do Sim"Banda, composta por Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone, volta a Recife com show completo de "Sinais do Sim" - Foto: Mauricio Valladares/Divulgação

Os Paralamas do Sucesso estão de volta, prontos para abrir o verbo - e a música - neste domingo (4), às 19h, no Teatro Guararapes, no Centro de Convenções, com ingressos entre R$ 60 (meia-entrada, no balcão) e R$ 160 (inteira, na plateia). Trazem à cidade a turnê completa do álbum mais recente, "Sinais do Sim", lançado em agosto de 2017. Para entender um pouco mais sobre o momento da banda, a Folha de Pernambuco conversou com o baixista João Barone sobre a pausa de oito anos nas composições autorais, a relação entre os integrantes e o teor político das canções.

Por que essa pausa de oito anos sem músicas inéditas?

A gente também ficou surpreso quando se deu conta que já tinham se passado oito anos do álbum autoral. Acho que é um fenômeno que acontece muito com os artistas de bandas com essa longevidade. Observamos que todo mundo que está há muito tempo na estrada tem disso. Talvez seja um sintoma da chamada 'madureza', porque quando estamos com 20 e poucos anos a gente quer matar o mundo no peito e chutar a gol. Passado esse tempo todo, estamos mais seletivos, com um ritmo mais lento. É difícil fazer uma análise muito laboratorial, mas hoje nós levamos um pouco mais de tempo para finalizar um trabalho novo e fazer isso da maneira mais orgânica possível, mais fiel e legítima.

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A química entre vocês três mudou de algum jeito nesses mais de 30 anos de carreira?

A análise mais imediata é de que estamos trabalhando mais coletivamente. Musicalmente, estamos interagindo mais para dar formato paras as letras. Com o tempo essa nossa sintonia só fez melhorar, temos um relacionamento muito intenso e, passados esses anos todos, nós já nos conhecemos muito.

Isso, às vezes, parece não ser uma coisa muito garantida, que terá uma falta de novidade e de interesse, mas, no nosso caso, fomos desenvolvendo essa nossa parceria de uma maneira muito interessante - pegamos sempre os melhores aspectos da nossa vivência e da nossa amizade. Esse tempo todo - e o acidente do Herbert [Vianna, guitarra e vocal] também - fez a gente ficar mais unido. E, dentro desse grande trauma, conseguimos nos reinventar. Isso foi uma página muito determinante na história d'Os Paralamas.

De onde veio a inspiração para as músicas desse álbum? Qual foi o sentimento principal que buscaram passar?

Tem um fenômeno interessante que é: a gente fica duas semanas dentro do estudiozinho compondo as músicas, chamando o produtor na hora que sente que tem uma coleção de músicas legais, mas, só depois que o disco fica pronto e sai, é que você tem noção do que fez. Agora estamos percebendo mais qual que é a mensagem desse álbum.

Ele tem uma espécie de extrato concentrado d'Os Paralamas, o título é uma tentativa de ver um cenário mais otimista nesse quadro sombrio do mundo atual, com tanto retrocesso. A música-título, ‘Sinais do Sim’, tem esse lado lírico que fala de amor e passa uma mensagem que pode ser entendida como, sim, estamos passando por uma coisa, mas algo melhor nos aguarda adiante. E, musicalmente, tem as várias nuances d'Os Paralamas — rock passando pelo raggae, baladas, algumas tentativas experimentalistas com ritmos- e, acima de tudo, o discurso que continua muito inspirado, passando mensagens super interessantes.



Então você discorda das críticas que dizem que o disco não foi político suficiente?

Sempre vai existir uma cobrança de uma posição política, principalmente com bandas dos anos 1980. Nós já deixamos muito claro que as músicas que nós fizemos nos anos 1980 continuam atuais, o discurso que fizemos naquela época ainda é válido - o que não necessariamente significa que temos que ficar revisitando-o em outras músicas. Não tivemos uma inspiração maior em coisas tão explicitamente políticas, nossa visão de mundo agora é um pouco diferenciada do que era em 1986.

Tentamos equilibrar, não queremos ficar tomando carona em qualquer discurso político só por isso mesmo. Se tiver muito inspirado a gente vai falar, se não, já temos nosso repertório. Tem uma mensagem bastante panfletária e direta em ‘Medo do Medo’, que é uma letra de uma rapper portuguesa, Capicua.

É bem o retrato do mundo onde a gente vive, em que o medo serve como uma maneira de ludibriar as pessoas, seja na coisa da economia, seja na coisa da sociedade de consumo, seja na política dos grandes salvadores da pátria que estão querendo se aproveitar do medo geral da sociedade para se aproveitar e se dar bem.

Alguma expectativa especial para o show daqui?

Toda vez que sai um álbum novo temos o desafio de fazer um show novo premeditado, que nos inspire a fazer uma releitura de tudo que a gente fez antes e somar com nosso trabalho atual. É um show repaginado d’Os Paralamas, em que tocamos algumas das músicas do disco novo e ao mesmo tempo reorganizamos nosso repertório de forma a colocar lá um monte de música conhecidas - e também não tão conhecidas, que são legais artisticamente.

Mexemos no nosso repertório de uma maneira criativa e vimos que o show está funcionando, as músicas que escolhemos do disco novo estão funcionando. Entregamos todas as músicas que o pessoal quer ver num show d’Os Paralamas, com um visual totalmente novo. É sempre um motivo de alegria passar em Recife, principalmente quando se permite que a gente apresente esse show. Tenho certeza que domingo vai ser uma festa enorme.

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