Solidão de uma nova realidade no filme 'O organismo'

Longa-metragem pernambucano "Organismo", dirigido por Jeorge Pereira, entra na segunda semana em cartaz nos cinemas a partir desta quinta-feira, ao tratar dos desafios diante da tetraplegia

Cena do filme 'O organismo'Cena do filme 'O organismo' - Foto: Inquieta Cine/Divulgação

No início, a ideia era fazer um curta-metragem, e “Organismo” focaria na solidão do personagem Diego, interpretado por Rômulo Braga, que precisa se adaptar à nova condição de cadeirante. Mas as primeiras gravações já indicavam que aquilo poderia ser mais explorado. “Logo em uma das primeiras cenas, a gravação totalizou uns 12 minutos! Ficamos desesperados, porque só ali já teríamos o curta”, contou Mariana Jacob, produtora do filme, da empresa Inquieta Cine.

Visto o potencial de fazer um produto maior, a Inquieta, produtora e distribuidora de filmes pernambucanos, acreditou no potencial de Jeorge Pereira, que realizou a sua estreia como diretor, e investiu na tarefa de tornar Organismo um longa-metragem. Jeorge, que também é cadeirante, relata que nesse momento foi feito um processo inverso do que havia sido realizado durante a montagem do curta.

“Enquanto no curta fizemos uma construção do personagem, no longa apostamos na desconstrução. Voltamos ao passado do Diego, para explicar como ele se tornou aquela pessoa, mostrando as influências que ele teve durante a vida”, destacou Jeorge.



Com a premissa primordial de falar sobre um acidente que provoca uma tetraplegia, o filme traz uma história repleta de desafios, superação, dramas e conscientização. Rômulo Braga, ator que deu vida a Diego, afirma que o filme foi um constante trabalho de descoberta.

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“Antes mesmo das gravações, nós, do elenco, conversamos com o Jeorge e fizemos a leitura da história com os questionamentos, e aquele momento foi fundamental para a construção do personagem”, explicou. “Quando partimos para o set de gravações, sabíamos o significado de cada acontecimento e de cada relação dos personagens”, complementou Rômulo.

Jeorge Pereira, diretor de cinema

Jeorge Pereira, diretor de cinema - Crédito: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco



Elenco

Além de Rômulo, quem marca presença no filme é a atriz Bianca Joy Porte, que interpreta Helena, par romântico de Diego na trama. Juntos, mostram ao público as transformações ocorridas após o trauma no dia a dia do casal. Enquanto o elenco adulto é formado por atores premiados e conhecidos, o elenco mirim é todo estreante. “Apesar de ser o primeiro contato de todas as crianças com a sétima arte, a atuação deles foi impecável. No lado adulto, tivemos a potência emocional necessária que a história pedia, e as crianças trouxeram a naturalidade, humanizando ainda mais os personagens”, finalizou Jeorge.

Com um investimento de R$ 1 milhão provenientes do apoio do Fundo Setorial Audiovisual (FSA) e do Edital do Funcultura Audiovisual da Fundarpe, “Organismo” realizou a sua estreia no último dia 25 de abril, seguindo em cartaz nas salas dos cinemas São Luiz e da Fundação Joaquim Nabuco, durante a próxima semana.

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