Solo de dança traz reflexões sobre as consequências da urbanização

“Microclima” terá duas sessões no Janeiro de Grandes Espetáculos

Bailarina Iara Campos protagoniza o  espetáculo dirigido  por Sebastião Soares, encenado hoje e dia 24  no Teatro Arraial Bailarina Iara Campos protagoniza o espetáculo dirigido por Sebastião Soares, encenado hoje e dia 24 no Teatro Arraial  - Foto: Danilo Galvão/Divulgação

 

A falta de planejamento urbano é um problema presente na maioria das cidades brasileiras. O Recife não é uma exceção à regra. A capital pernambucana cresceu desordenadamente e, hoje, precisa lidar com a verticalização extrema, a violência alarmante, o trânsito caótico e a natureza devastada. As sensações que surgem nesse cenário são o mote do solo de dança “Microclima”, que a bailarina Iara Campos leva ao Janeiro de Grandes Espetáculos em suas sessões, hoje e 24 de janeiro, às 20h, no Teatro Arraial.

“A proposta do espetáculo surgiu do diretor, Sebastião Soares. Há muito tempo, ele sentia vontade de falar sobre as mudanças climáticas que as cidades sofrem por conta da urbanização. É um trabalho que parte do entendimento de como o corpo é afetado por esse processo, que privilegia as áreas de convivência privada em detrimento dos espaços abertos”, afirma Iara Campos. “A gente está falando de qualquer centro urbano, seja ela grande ou pequeno. Por termos uma ligação com o Recife, é claro que levantamos as discussões da Cidade, mas essa é uma preocupação global”, completa.

A montagem começou a ser gestada há dois anos, mas só começou a ganhar forma a partir de outubro do ano passado, quando teve início a rotina de ensaios e pesquisas. “A gente já vinha batalhando em editais para construir esse solo. Quando finalmente conseguimos o financiamento, tínhamos pouco tempo, por causa do calendário do diretor, que mora na Argentina. Ensaiamos intensamente, de segunda a sexta-feira, quatro horas por dia. Fizemos experimentação na rua e em sala de ensaio, além de leitura bibliográfica em arquitetura e urbanismo. A concepção foi brotando das nossas inquietações e vivências de rua. Mas é um solo passivo de mudança o tempo inteiro. Estamos sempre em mutação”, diz a bailarina.

Além da encenação de palco, o projeto - que foi financiado pelo Funcultura - conta com uma série de intervenções urbanas. A última ação do tipo ocorre amanhã, às 11h, na Praça de Boa Viagem. “Na rua, nossa intenção é provocar as pessoas sobre essas mudanças climáticas que sentimos na pele, no nosso dia a dia. Por isso, as intervenções são realizadas em horários de muita incidência solar. Também usamos uma placa dourada, que reflete a luz nas pessoas”, detalha.

Portugueses
Outra atração do Janeiro de Grandes Espetáculos é a peça “Homenagem a João Villaret”, da companhia portuguesa Comuna Teatro de Pesquisa. A apresentação ocorre hoje, às 20h, no Teatro Hermilo Borba Filho, com ingressos à venda por R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada). Com dois atores e um músico em cena, o trabalho recria algumas das principais peças estreladas por um dos principais nomes do teatro português.

 

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