Sonoridade política de Daniel Haaksman

Na noite ainda haverá a jam session do grupo Hellcife Soundsystem, junto com o multi-instrumentista Hilal Omar Al Jamal e o DJ Leon Selector.

Luciana Santos (PCdoB)Luciana Santos (PCdoB) - Foto: Divulgação

Musicalmente, o que Alemanha, países da África e Brasil teriam em comum? O DJ alemão Daniel Haaksman nos apresenta em seu mais recente disco “African fabrics” - já disponível nas plataformas de streaming - os caminhos que nos levariam para essa resposta. Tocando nesta sexta-feira (18) no Texas Café Bar, o artista apresenta as sonoridades envolvidas em seu novo trabalho, às 20h, no evento promovido pelo Centro Cultural Brasil-Alemanha. Na noite, ainda haverá a jam session do grupo Hellcife Soundsystem, junto com o multi-instrumentista Hilal Omar Al Jamal e o DJ Leon Selector.

Com sonoridades que remetem a uma ancestralidade africana, o disco nos traz um sentimento de algo que nos é comum, que não é estranho a nossos ouvidos por pulsar em nossas veias: a africanidade. Ao mesmo tempo que dá à luz a tradicionalidade de ritmos africanos como o kuduro, o tarraxo, a marrabenta e o bondoro, o DJ insere as nuances de contemporaneidade através da música eletrônica.

“A pesquisa das sonoridades se deu enquanto eu estava passando um tempo em Moçambique, Angola e Cabo Verde para alguns shows. Eu sabia que poderia mergulhar profundamente na cena da música local, mas não esperava que os estilos de música fossem algo tão abrangente e fosse influenciar minha própria música dessa forma. Lá, eu costumava a ir a muitos clubes e festas de rua, comprar CDs pirata em mercados e ouvir rádio locais”, explica Daniel.

Em “African fabrics”, Daniel Haaksman aponta um teor político muito evidente, fato bastante raro quando pensamos na produção da música eletrônica. No clipe de “Rename the streets”, o DJ mostra que os nomes das ruas do bairro African Quarter são homenagens aos colonizadores ou colônias que a Alemanha tinha na África e faz um apelo para que as ruas de mudem de nome.

“Infelizmente, teor político é muito escasso na música eletrônica. Mas, como um artista branco alemão privilegiado, estabelecendo um diálogo com música e cultura africana, eu automaticamente percebi as implicações políticas no meu trabalho. Como você pode fazer música que seja resultado de diálogo e não de apropriação ou mero roubo cultural? Toda música no ‘African Fabrics” foi composta por mim e é resultado de uma hibridização, de mixar elementos de vários estilos africanos com o eletrônico, e bases do hemisfério Norte. Além disso, pensei em fazer algumas faixas com componente crítico, como em “Rename the streets”, comenta o DJ.

O artista já esteve outras vezes no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, onde conheceu o funk e o levou para vários lugares da Europa. “Quando eu ouvi funk pela primeira vez comecei a fazer compilações dele para o público europeu, mas não sabia dos preconceitos que muitos brasileiros tinham com relação ao ritmo. Foi ótimo ver como o funk, graças à internet, se espalhou como um fenômeno global. Também, a sua mistura com outros gêneros como house ou trap music, é muito nova e isso mostra como o gênero é dinâmico e envolvente. O funk carioca foi um dos primeiros gêneros urbanos do hemisfério sul digitalmente produzido e mais tarde deu abertura para estilos como o reggaeton, cumbia e 3ball se tornarem internacionalmente conhecidos”, afirma Haaksman.

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