SP: Império e Tatuapé brilham em 1ª noite de desfiles

Campeãs dos últimos três anos, as escolas mostraram novamente favoritismo. Desfiles seguem neste sábado (2)

Império de Casa Verde falou sobre o cinema em seu desfileImpério de Casa Verde falou sobre o cinema em seu desfile - Foto: Miguel Schincariol/AFP

As duas últimas campeãs do Carnaval paulista foram os destaques do primeiro dia de desfiles deste ano, que teve início na noite desta sexta-feira (1º), no Anhembi. A Império de Casa Verde, vencedora em 2016, levou à avenida um enredo previsível sobre o cinema, mas que foi bem recebido pelo público. Cada uma das alas era coreografada e trouxe referências a um clássico do cinema, deixando o desfile divertido e fácil de entender.

Como tem sido marca nos últimos anos, a escola trouxe os maiores carros alegóricos do Carnaval paulista. Somente o abre alas tinha cerca de 90 metros de comprimento. O destaque, porém, foi o último carro da escola, com o nome de "O Império Contra Ataca". Ele fazia referência à saga Star Wars e era ainda um trocadilho com o nome da agremiação e um aviso de que a escola veio este ano para vencer. A escola ia bem até o fim de seu desfile, quando teve de correr para não estourar o limite de tempo previsto, o que deve gerar perda de pontos.

Já a Acadêmicos do Tatuapé, atual bicampeã, abusou do luxo em suas fantasias, com penas e plumas, para contar a história de guerreiros históricos e do cotidiano. O abre-alas lançou papel laminado por toda a extensão da avenida, fazendo com que a enorme escultura de São Jorge ficasse sempre envolta numa nuvem brilhante. O samba fácil embalou a escola que seguiu sem grandes falhas. A bateria usou do recurso de paradinhas e paradonas varias vezes ao longo do desfile, fazendo com que em determinados momentos apenas a voz dos integrantes da escola fosse ouvida no Anhembi.

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A Mancha Verde, que tem ido bem nos últimos Carnavais, mas ainda não foi campeã, também desfilou bem e é outra que pode entrar na disputa pelo título. Suas fantasias eram ricas em detalhes e os carros alegóricos bem acabados. A escola contou a história de a princesa africana Aqualtune, que foi escravizada e levada ao Brasil. Por meio da trajetória da avó de Zumbi dos Palmares, a Mancha propôs discussão sobre a força da população negra, preconceito racial e intolerância religiosa. Maracatu, orixás e escravidão compuseram momentos diferentes do desfile concebido pelo afamado carnavalesco Jorge de Freitas.

O tema da força da cultura negra e de sua resistência diante do preconceito e da violência marcou o primeiro dia do Grupo Especial, tendo aparecido, além do desfile de Mancha, na Acadêmicos do Tucuruvi, Acadêmicos do Tatuapé e X-9 Paulistana, que fez um desfile modesto e com problemas, mas foi o que mais emocionou o público presente. A escola decidiu homenagear o sambista Arlindo Cruz, de 60 anos, em sua apresentação.

No entanto, até o fim da tarde de sexta-feira (1º) não se sabia se ele poderia comparecer. Arlindo teve um AVC há dois anos, encontra-se bastante debilitado desde então e abandonou aparições públicas. O sambista, contudo, apareceu em uma cadeira de rodas sobre o último carro alegórico do desfile da X-9, surpreendendo a muitos. Gritos de "Força, Arlindo", palmas e muito choro tomaram conta do sambódromo.

O primeiro dia foi encerrado com a Tom Maior com um enredo confuso sobre a história do pensamento, mas bonito, aproveitando a luz da manhã de sábado (2). Na noite deste sábado, desfilarão, a partir das 22h30, Águia de Ouro, Dragões da Real, Mocidade Alegre, Vai-Vai, Rosas de Ouro, Vila Maria, Gaviões da Fiel.

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