Spotify retira funk criticado por apologia do estupro

Plataforma digital emitiu nota sobre a presença do funk 'Só Surubinha de Leve' no catálogo

Protesto de Yasmin Formiga viralizou nas redes sociaisProtesto de Yasmin Formiga viralizou nas redes sociais - Foto: Reprodução

O Spotify afirmou em nota à imprensa que irá retirar de seu catálogo o polêmico funk "Só Surubinha de Leve", de MC Diguinho, criticado por fazer apologia do estupro.

No entanto, afirmou que ainda analisará a possível retirada de "Vai Faz a Fila", de MC Denny, que descreve sexo não consensual. "Vou socar na tua b... sem parar/ e se você pedir pra mim parar, não vou parar/ porque você que resolveu vir pra base transar/ então vem cá, se você quer, você vai aguentar", diz um trecho da faixa.

Segundo a assessoria de imprensa do Spotify, são as gravadoras e distribuidoras que abastecem o catálogo da plataforma e, devido ao volume diário de novas faixas, não é possível estabelecer um controle prévio.

Veja a íntegra do comunicado:
"O catálogo do Spotify é abastecido por centenas de milhares de gravadoras, artistas e distribuidoras em todo o mundo. Eles são devidamente avisados sobre nossas diretrizes e são responsáveis pelo conteúdo que entregam.

Desta forma, informamos que contatamos a distribuidora da música "Só Surubinha de Leve" a respeito do ocorrido e fomos informados que a faixa será retirada da plataforma nas próximas horas, uma vez que o tema foi trazido à nossa atenção.
A música está atualmente no Top Viral pois teve um pico de consumo nos últimos dias."


Entenda o caso
Dois funks que integram a lista das 50 faixas mais virais das plataformas de streaming estão sendo criticados por conter letras que permitem a interpretação de apologia do estupro.

"Só Surubinha de Leve", do MC Diguinho, lidera o pódio no Spotify e também figura entre as mais virais do mundo e as mais tocadas do serviço no Brasil. "Taca a bebida/ depois taca a pica/ e abandona na rua", diz o trecho da faixa que foi alvo de críticas nas redes sociais.

A principal queixa foi de Yasmin Formiga, que publicou uma foto na qual aparece machucada, carregando um cartaz com o polêmico trecho. "Sua música ajuda para que as raízes da cultura do estupro se estendam. Sua música aumenta a misoginia. Sua música aumenta os dados de feminicídio. Sua música machuca um ser humano. Sua música gera um trauma. Sua música gera a próxima desculpa. Sua música tira mais uma. Sua música é baixa ao ponto de me tornar um objeto despejado na rua", escreveu.

Outra das faixas virais também tem sido alvo de críticas, ainda que em menor escala. "Vai Faz a Fila", de MC Denny, aparece em 30º lugar com letra que descreve sexo não consensual. Ambos os artistas são produzidos pela GR6 Eventos. Diguinho, Denny e GR6 não responderam aos pedidos de contato da reportagem.

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