Crítica: 'Sergio' enaltece figura de diplomata brasileiro

Com Wagner Moura, filme da Netflix conta trajetória do brasileiro Sérgio Vieira de Mello, alto-comissário da ONU morto em atentado terrorista no Iraque, em 2003

Wagner Moura estrela o filme "Sergio", da NetflixWagner Moura estrela o filme "Sergio", da Netflix - Foto: Divulgação

Depois de estrelar a série “Narcos”, Wagner Moura retorna à Netflix interpretando mais uma personalidade latino-americana de grande influência. Sai o narcotraficante colombiano Pablo Escobar e entra o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello. O filme “Sergio”, que chega hoje ao serviço de streaming, conta a história do alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que morreu em 2003, em um atentado terrorista no Iraque.

Cotado para a sucessão de Kofi Annan como Secretário-Geral da ONU, Sérgio foi enviado para representar a organização em Bagdá, logo após a invasão dos Estados Unidos ao Iraque. A escolha do seu nome, sem dúvida, levou em conta o longo histórico de mais de três décadas na mediação de conflitos em diversos países, como Sudão, Chipre, Camboja e Timor Leste. Essa experiência é algo que o longa-metragem faz questão de ressaltar - ainda que nas entrelinhas - desde a primeira cena, quando o diplomata surge confiante diante das câmeras, gravando um vídeo para novatos da instituição.

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Além de atuar, Wagner Moura assina como produtor da cinebiografia. O ator procurou o norte-americano Greg Barker, que já havia realizado um documentário sobre Sérgio em 2009. Nas mãos da dupla, a obra ganha claros contornos de homenagem. É nítida a intenção de exaltar os méritos do protagonista e louvar sua trajetória, abrindo pouco espaço para contradições de cunho ético ou moral. Por vezes, ele é pintado como um herói “à la James Bond”, enfrentando perigos para salvar a humanidade em territórios perigosos, enquanto vive um tórrido romance com uma bela mulher. “Sergio” funciona bem como reverência poética à figura do diplomata, mas deixa a desejar enquanto trama capaz de prender a atenção do espectador.



Na tentativa de humanizar a história, o longa dá uma atenção especial ao relacionamento entre Sérgio e sua esposa, a economista argentina Carolina Larriera. A personagem acaba roubando a cena em diversos momentos, menos pela forma como o roteiro a apresenta e mais pela atuação magnética da atriz cubana Ana de Armas. A trama política dos conflitos mediados pelo diplomata vai perdendo espaço, à medida que a relação do casal avança. Um diretor com mais vivência no ramo da ficção, talvez, teria conseguido achar o equilíbrio entre essas narrativas paralelas.

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