Superpoder também na moda

Ao longo das décadas, a Mulher-Maravilha também influenciou as roupas e acessórios. Com o filme, a tendência voltou ainda mais forte

Das sandálias Havaianas à jaqueta da C&A, passando pelos desfiles de moda, as referências à heroína estão em alta para todos os níveis de consumoDas sandálias Havaianas à jaqueta da C&A, passando pelos desfiles de moda, as referências à heroína estão em alta para todos os níveis de consumo - Foto: Divulgação

A moda pode fazer pela autoestima de um ser humano tanto quanto um uniforme de super-herói de HQ: é signo de poder, ou melhor, empoderamento, palavra-símbolo da da incessante luta feminina por direitos iguais aos dos homens. Nos quadrinhos, a primeira heroína empoderada foi a Mulher-Maravilha. Tanto que chegou a ser nomeada embaixadora honorária da ONU, ano passado, numa campanha em defesa das mulheres e das meninas. Tudo bem que existem muitas mulheres poderosas e fortes, de carne e osso, e famosas, que mereceriam tal honraria, mas... O apelo pop da personagem falou mais alto e a Wonder Woman acabou de ganhar um filme em que é a única protagonista, dirigido por uma mulher e estrelado por Gal Gadot, atriz natural de Israel, País onde as mulheres também servem ao Eército.

Com a personagem em alta, natural que ela venha parar em nosso guarda-roupa, para trazer um pouco da sua força e poder à nossa rotina. Algumas grifes fizeram coleções temáticas, como a Ellus 2nd Floor, cujo estilista, Thiago Marcon, apresentou na última São Paulo Fashion Week uma coleção de inverno de 2017 todinha dedicada à Diana, como também é conhecida nos quadrinhos. Buscando referências menos óbvias do que o vermelho, azul e branco vivos, a marca fez menção à guerra, com peças camufladas, que remetem ao ano em que a heroína surgiu, em 1941, na Segunda Guerra Mundial. Os looks ganham modelagem esportiva, para usar no asfalto, com muitas jaquetas utilitárias cheias de bolsos, e em moletons. As estrelas não podiam faltar. Mas aparecem em fundo preto para variar um pouquinho.

Nos acessórios, meias abaixo do joelho com estrelinhas na ponta, botas douradas, vermelhas, brancas e estreladas com plataforma e cano médio, além de lúdicas bolsas com a carinha da Mulher-Maravilha desenhada.

Quem preferir ser mais objetivo mesmo, vá nas redes de fast fashion - como C&A e Renner - que as referências estão lá logo à vista em camisetas, jaquetas e shorts jeans. As Havaianas e a Melissa também entraram no filão da heroína do chicote e a estamparam sem pudores em seus pisantes.

O body com uma estrelinha no canto esquerdo e gola alta, da Renner, deixa só um perfume da inspiração no ar e pode ser usado mesmo quando a mania pop passar ou enjoar. Assim como a bota dourada da Cravo&Canela, ou branca, da Carmen Steffens. Braceletes de metal e brincos de estrela também remetem ao universo de Diana. Basta compor com outras peças para não ser tão óbvia, caso você queira preservar sua identidade secreta.

Costura do tempo
Desde que foi criada, a Mulher-Maravilha já mudou muito do ponto de vista estético, refletindo a história. Quando foi criada, era uma mulher corpulenta, que usava saia um pouco acima dos joelhos, bem soltinha, azul com as estrelas brancas e o top vermelho, em clara referência à bandeira americana. Nos anos 1950 e 1960, quando vieram as pin-ups e os biquínis se tornaram populares, a hot-pant deixou as pernocas da heroína totalmente de fora, e o corpinho foi ficando mais enxuto. Nos anos 1980, quando exagero pouco era bobagem, os cabelos de Diana ficaram mega volumosos. Já a hot pant foi tão cavada nas laterais que virou uma tanga asa-delta. Em 1990, caída no ostracismo, ninguém nem ligou quando a vestiram de bermuda preta tipo ciclista e top, num visual rapper, com cabelo liso e franja, totalmente irreconhecível. O mesmo ocorreu em 2010, quando lhe puseram uma legging e uma jaqueta curta. Outro fracasso. O look que está nos cinemas possui tons bem mais escuros do que os berrantes do passado, em um metalizado fosco. Mais condizente com os tempos em que vivemos.

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