'Suporto Perder', terceiro single de Flaira Ferro, chega às plataformas digitais

Single ganha as plataformas digitais nesta quarta (21) e clipe, que contou com a participação de Chico César, poderá ser visto no Youtube

Clipe 'Suporto Perder', de Flaira Ferro com participação de Chico CésarClipe 'Suporto Perder', de Flaira Ferro com participação de Chico César - Foto: Débora Barros

Efervescência virou meio que um "verbo da moda" do universo artístico, principalmente em tempos de travessias difíceis, pautadas por incertezas que exigem movimentos de aproximação de pessoas e direcionamentos comuns. A pernambucana Flaira Ferro tem sido um dos (bons) exemplos de uma nova geração da música que pratica ebulições com corpo, letra e voz, elementos consolidados no clipe de "Suporto Perder", terceiro e último single com lançamento hoje no YouTube e nas plataformas digitais, fechando a tríade que antecede ao seu segundo álbum, com previsão de chegada entre os meses de setembro e outubro.

"Eu quis experimentar esse lugar dos singles, de ir publicando e divulgando o material antes do trabalho completo. A ideia era perceber como elas iriam reverberar, até para entender a temperatura desse próximo disco", contou ela com exclusividade à Folha de Pernambuco. Somando-se aos dois primeiros cilpes - "Coisa Mais Bonita" (2018) e "Revólver" (2019) - os ares do segundo trabalho da cantora, compositora e dançarina devem esquentar musicalmente ouvidos e percepções alheias.

Gravado em São Paulo e no Recife, "Suporto Perder" - canção feita por ela em parceria com o também compositor Igor de Carvalho - esboça as afetividades de Flaira com o coletivo, no afã de seguir e pensar junto. Cercada de mais de 80 dançarinos, o clipe, viabilizado pela Ateliê Produções e dirigido por Cézar Maia, contou também com a participação do artista paraibano Chico César que, assim como a pernambucana, interage com resistências e ressignificações em sua arte.

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"Chico é nordestino, preto e do interior, com um entendimento de vida e uma poética que tinha muito a contribuir com a mensagem do clipe, que é sobre suportar perdas, lidar com provações e atravessar desafios. Por mais que eu tenha um trabalho autoral, gosto de parcerias, de trabalhar com gente, pensar o movimento juntos, e Chico é essa figura que representa e sintetiza o momento, como agregador que é, que tem muito a dizer e com humor", ressalta.

Composto de doze faixas, o disco "está quase pronto", como adianta Flaira. Produzido por Iuri Queiroga, além de Chico César, participam do álbum Amaro Freitas, a caruaruense Isabela Moraes, Spok e "mulheres e amigas" do coletivo Dita Curva, entre elas Isaar, Sofia Freire e Paula Bujes. "Será uma faixa com várias mulheres, outras com amigos. O disco será bem filho do Recife", enaltece a artista, que assina pelo menos onze, das doze canções de um trabalho que ela chama de "frenético, aguerrido e dançante" e que reflete, por exemplo, suas vivências no contexto político atual. "Será uma versão minha mais sarcástica do que mostrei no primeiro disco (Cordões Umbilicais, 2015), que era mais autobiográfico e introspectivo".

Clipe 'Suporto Perder', de Flaira Ferro


Suportar e não sucumbir
"O clipe não foi só uma realização minha. Foi feito por todos os bailarinos e pessoas que trabalharam no projeto. O envolvimento se deu pelo afeto, pelas presenças voluntárias de quem acredita nas mensagens de resiliência e na capacidade de atravessar dificuldades sem sucumbir", agradece Flaira, que, entre São Paulo e o Recife, buscou espaços que também representassem suas ideias e delineassem simbologias.

"Gravamos em São Paulo no estacionamento ao lado do Teatro Oficina, espaço que já foi usado por anos pelo próprio teatro. Um pedaço de chão de resistência, que guarda um conflito entre se tornar parte do teatro ou virar um terreno privado", destaca ela sobre o local que pertence ao apresentador de televisão Sílvio Santos.

Por aqui, foi em um campo de várzea entre o Recife e Olinda que o clipe foi gravado, aproveitando, segundo ela, um espaço que também deve ser ambientado pela diversão. "Procuramos um lugar que fosse público e representasse também o lazer. E o campo de terra vermelha nos trouxe essa ideia de coisas que estão à margem e que a gente não usufrui na cidade, embora estejam disponíveis".

Assista ao clipe de 'Suporto Perder':


 

 

 

 

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