Cinema

Suspense brasileiro "Volume Morto" estreia nas plataformas digitais

Filme dirigido por Kauê Telloli conta com quatro atores e se passa dentro de uma escola

Júlia Rabello interpreta uma mãe em "Volume Morto"Júlia Rabello interpreta uma mãe em "Volume Morto" - Foto: Divulgação

Mesmo diante de uma pandemia, o cinema nacional vem garantindo ao público uma nova safra de lançamentos. Com as salas de exibião ainda fechadas na maioria dos estados brasileiros, as estreias ocorrem nos cinemas drive-in e, posteriormente, no streaming. Um exemplo de filme que seguiu por esse caminho é “Volume Morto”, que nesta sexta-feira (18) chega às plataformas digitais.

No longa-metragem, uma conversa dentro de uma sala de aula é o ponto de partida para uma intrincada trama de suspense. O assunto do encontro é Gustavo (que nunca aparece em cena), de sete anos. Ao perceber que ele não fala em suas aulas de inglês, a professora Thamara (Fernanda Vasconcellos) convoca os pais do garoto, Luiza (Júlia Rabello) e Roberto (Daniel Infantini), para uma reunião.

A intenção de Thamara é descobrir se algo em casa está afetando o comportamento da criança na escola. Os pais, por sua vez, negam a existência de maus-tratos e passam a culpar a professora pela situação. O diretor e roteirista do filme, Kauê Telloli, conta que a ideia para a história surgiu de um momento ao lado dos amigos, quando todos observavam desenhos feitos por crianças.

“Cada um começou a tentar interpretar os traços, querendo adivinhar o que as crianças estavam sentindo ou querendo representar com as imagens. Achei curioso que todo mundo se apaixonou pelo seu próprio ponto de vista e a discussão começou a esquentar. Percebi nisso um paralelo com o que vivemos hoje no mundo, com opiniões muito polarizadas e ninguém querendo escutar o outro”, relembra.

Assim como na situação real vivida pelo diretor, os personagens do filme tentam encontrar nos desenhos feitos pelo menino os sinais do que pode estar acontecendo com ele. As discordâncias e desconfianças mútuas acabam levando os adultos para um lugar de extrema violência física e verbal. O público é apresentado a um quebra-cabeça difícil de montar, com peças que parecem nunca se encaixarem.

“O sentimento que guiou a construção do roteiro foi o de dar rasteiras nas certezas que o espectador tem. O final não entrega exatamente o que está acontecendo, mas mostra o principal: enquanto os adultos brigam pelas verdades deles, o menino foi esquecido. Os porquês da história estão lá, mas o público é que tem que fazer o esforço de pensar”, explica.

Com 80 minutos de duração, “Volume Morto” tem uma estrutura de produção filme. O filme foi todo filmado em uma única locação (uma escola), com quatro atores no elenco (Fernanda Viacava interpreta a diretora). Foram apenas nove dias de gravações.

“O meu primeiro longa, ‘Eu nunca’, também funcionou em um modelo parecido. É uma forma de tentar deixar o filme mais viável, já que fazer cinema no Brasil encontra várias barreiras. Claro que, quando você começa a limitar os recursos narrativos, precisa ser mais e mais criativo. A produção foi super corrida, a gente teve que se preparar muito antes para conseguir chegar na hora e executar tudo o que estava planejado. O bom é que elenco e equipe compraram a ideia, fazendo o resultado ser muito convincente”, aponta. O longa está disponível nas plataformas iTunes, Google Play, YouTube Play, Looke e Vivo Play.

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