Suzana Costa faz exposição reunindo três gerações criativas
Atriz e também artista plástica, Suzana Costa expõe suas telas em 'Nascedouro', na mesma ocasião em que são lançados livros de seu pai, Heleno, e de seu filho, Fabiano Costa Coelho
"Eu pari tudo isso", se alegra Suzana Costa, diante das 21 telas que compõem a exposição "Nascedouro" e que estarão disponíveis para a visitação do público a partir deste sábado (28), na Torre Malakoff, no Bairro do Recife. A atriz e produtora cultural estreia como pintora e mostra mais uma faceta artística da família, para a qual funciona como elo.
Na verdade, o evento é uma celebração inter-geracional, já que haverá também o lançamento dos livros "Minha mãe e outras mulheres", de seu filho Fabiano Costa Coelho, e "Por onde navega o poeta anônimo", de seu pai, Heleno Costa.
Viúva do maestro Cussy de Almeida, falecido em 2010, Suzana encontrou maneiras de também incluí-lo na festa, através de uma das pinturas e da presença da Orquestra Criança Cidadã, projeto social que atua na comunidade do Coque.
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A partir dos poemas de Heleno, dos contos de Fabiano e das pinturas oníricas de Suzana, o público vai se sentir participando de um encontro amoroso entre as três gerações criativas. Cada um deles tem sua própria história. Heleno era funcionário do Banco do Brasil e boêmio apaixonado pelo Recife. Faleceu em 2004, deixando dezenas de poemas inéditos (um dos quais emoldurado no antigo bar Savoy).
"Quando meu avô morreu, fizeram a partilha dos bens e eu me ocupei em preservar esse acervo", relembra Fabiano, responsável por compilar esse registro post-mortem. São escritos sobre o amor, o Recife e o Carnaval, que celebram a vida da forma como Heleno a imaginou e viveu.
Uma vida pela arte
Suzana Costa tem uma longa trajetória ligada à arte. Aos 17, integrou o emblemático grupo teatral Vivencial Diversiones, de Olinda, e seu primeiro emprego foi na Três Galeras, a galeria do ceramista Tiago Amorim. Após trabalhar vários anos como produtora cultural, ela se aposentou e, a partir de 2012, começou a experimentar novas formas de expressão.
Fez um curso durante uma viagem a Florença, na Itália, e, no Brasil, passou a ter aulas com a pintora Badida, em 2015. "Me descobri através da orientação dela", conta. Suas telas são extremamente femininas e passeiam entre o abstrato e o figurativo não-realista, com fortes elementos surrealistas e expressionistas. As cores saltam das telas, com destaque para os tons de terra (Suzana é leonina e solar) e o azul, uma descoberta recente da artista.
Performance dramática
A multiplicidade da mãe se reflete em Fabiano, que já foi passista de frevo (atualmente menos atuante, por conta de uma lesão no tornozelo) e se tornou escritor a partir de 2005, tendo se destacado por seu romance "O lume e o agreste", que ganhou menção honrosa na primeira edição do Prêmio Pernambuco de Literatura, em 2013, e foi finalista do Prêmio Sesc de Literatura, em 2010. "Minha mãe e outras mulheres" é um conjunto de 28 contos que aborda a pluralidade das relações humanas, com todas as suas mazelas e possibilidades.
"Falo sobre mulheres, feminilidade, diálogos entre a sombra e a luz. Um dos contos, 'Soldadinho', se inspira na minha infância e na figura materna, mas recriada pela ficção", descreve. Fabiano se considera um contador de histórias e mescla a habilidade escrita com apresentações performáticas, apresentando seu talento dramático para o público também de forma presencial. "Tenho um pé no teatro e outro na literatura", reconhece.
O evento para a abertura não aconteceu de forma planejada. "Foi nascendo, brotando, de forma fluida", confessa Fabiano. Na família Costa, outros fios para além do umbigo unem as gerações que se sucedem. Por meio da arte, eles celebram a memória, resgatam vivências e multiplicam a poesia.
Serviço:
Abertura da exposição "Nascedouro", de Suzana Costa
Lançamento dos livros "Minha mãe e outras mulheres", de Fabiano Costa Coelho (168 págs., R$ 47) e "Por onde navega o poeta anônimo", de Heleno Costa (80 págs., R$ 40), ambos lançados pela editora Confraria do Vento
De 28 de abril a 3 de junho de 2018
Torre Malakoff (Praça do Arsenal, s/n - Bairro do Recife)
