Talento em falta no “X Factor Brasil”

Disputa musical, da Band, derrapa na qualidade de participantes e incoerência dos jurados

Avião Cessna envolvido no acidente fatal do ex-governador e então candidato à Presidência Eduardo CamposAvião Cessna envolvido no acidente fatal do ex-governador e então candidato à Presidência Eduardo Campos - Foto: Edson SIlva/Folhapress/Arquivo

 

Uma boa disputa musical exige que seus participantes tenham talento acima da média. Ainda mais quando o programa em questão procura alguém com algo a mais, com um fator “X” que o diferencie dos demais. Desde o início, foi exatamente essa ausência de dons raros entre os participantes que diminuiu a relevância do “X Factor Brasil”, da Band, exibido nas segundas e quartas, às 22h30.

A emissora não pensou muito na produção. Na ânsia de rechear seu horário nobre com um enlatado que pudesse ter o mesmo apelo do “MasterChef Brasil”, a Band correu com a seleção de candidatos, não escolheu bem seus jurados e hoje, depois de quase dois meses no ar, sente a falta de repercussão do programa.

 Um dos únicos méritos da produção é Fernanda Paes Leme. Mais conhecida por sua porção atriz, ela se mostra segura e sincera no trato com jurados e participantes. Entre os técnicos, fica fácil respeitar figuras como Paulo Miklos e Rick Bonadio. O ex-titã demonstra sensibilidade e exigência com seu grupo, enquanto o produtor Bonadio parece saber exatamente onde está pisando. Simpática, mas um pouco desconhecida demais para o posto, Alinne Rosa tem atuação discreta e nada decisiva.

O problema do corpo de jurados, no entanto, está mesmo com Di Ferrero, vocalista do grupo de pop-rock NX Zero. O formato do programa pede uma figura menos simpática, mas Ferrero exagera em seu mau humor e cara de que gostaria de estar em qualquer lugar, menos no cenário do “X Factor”.
A edição do programa tem uma série de defeitos. Privilegiando as ações, os editores pouco se importam com a continuidade e coerência das cenas. E o que se vê no ar é um amontoado de testes sem qualquer lógica ou ligação. Grande chamariz deste tipo de produção, a investigação de histórias curiosas sobre os participantes também se mostra pouco atraente. Não bastasse as inúmeras limitações vocais, floreios desnecessários e músicas sem qualquer poder de conquista, o “X Factor” não consegue montar histórias para valorizar seus personagens e muito menos segurar seu possível público.

 

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