Tão longe, tão perto do samba

Feito aos poucos, o projeto foi concluído no final de 2015

Luana Carvalho, filha de Beth Carvalho, lança disco duplo em que contempla o ritmoLuana Carvalho, filha de Beth Carvalho, lança disco duplo em que contempla o ritmo - Foto: Tati Domais/Divulgação

Desde os 15 anos, Luana Carvalho lista músicas que gostaria de gravar. E ela, filha da cantora Beth Carvalho, já está à beira de completar 36. É natural, portanto, que tenha selecionado seis composições de outros autores para juntar a cinco suas no disco de estreia. “É metade meu, metade do mundo”, diz. Mas não lhe bastou lançar apenas um álbum chamado “Branco”. Registrou mais sete canções próprias em “Sul”, segunda parte de um CD duplo - na internet, eles estão desmembrados. “Não quero que pareça um trabalho gordo, por serem dois. Fiz o ‘Sul’ por sentir urgência. Ele é a primeira coisa que eu teria a falar sobre mim hoje. Tem relação maior com a compositora que eu sou”, afirma.

Em 2012, Luana convidou Moreno Veloso para produzir seu primeiro CD. Feito aos poucos, o projeto foi concluído no final de 2015, tendo participações de 16 músicos. Enquanto esperava os nós burocráticos de “Branco” serem desatados, ela decidiu voltar ao estúdio. Assumiu o violão e se cercou de apenas três músicos: Moreno, Pedro Sá e Domenico Lancellotti. “Sou seguidora de João Gilberto, sou da linha ‘menos é mais’. Trouxe o ‘Sul’ para mais perto da sala de casa que fosse possível”, diz.

Carnaval

O CD começa e termina em temática de Carnaval: “Avesso da Alegria” e “A Cabrocha de Mangueira”. Em “Branco”, o samba só marca presença na faixa final: “Força da Imaginação”, que Caetano Veloso e Dona Ivone Lara compuseram em 1982 para Beth Carvalho gravar. “Nunca me distancio do samba. Fui gerada numa barriga de samba. É algo muito perto de mim. E, no ‘Branco’, busquei caminhos que eu não conhecia”, afirma ela, que canta gêneros diversos, sempre com suavidade.

Das suas antigas listas, também entraram “Palavra Acesa” (Fernando Filizolla), do repertório do Quinteto Violado, e “Paloma Negra”, de Chavela Vargas. De seus contemporâneos, gravou “Ar para Jantar” (Domenico Lancellotti e André Dahmer), “Indivídua” (Pedro Luis/João Cavalcanti) e “Luz do Âmbar” (Pedro Luis). Esta última, sobre Lisboa, ela encomendou. Luana tem passado metade do ano na capital portuguesa. Aproxima artistas de língua portuguesa no projeto virtual Cais, que tem participado de festas literárias como a Flip.

“A maneira de Lisboa lidar com o dia é mais mansa. As pessoas acordam, almoçam e andam com mais calma. Isso tem mais a ver comigo. A boêmia improdutiva do Rio não me anima”, diz a carioca que já morou em São Paulo.

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