Teatro de Santa Isabel é palco da reestreia do 'Dita Curva'

Coletivo de mulheres inicia 2ª temporada nesta quinta-feira (12) e segue em turnê por João Pessoa, São Paulo e Rio

Espetáculo 'Dita Curva'Espetáculo 'Dita Curva' - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

O barulho é ensurdecedor. Vem do canto, vem da dança, das cordas do violino, dos olhares trocados, dos silêncios pulsantes e dos gritos de uma dezena de mulheres que se multiplicam em outras tantas porque representam existências e histórias ressignificadas pela força do feminino. Assim é o "Dita Curva", coletivo formado por multiartistas pernambucanas e que retorna aos palcos hoje, no Teatro de Santa Isabel, ponto de partida de uma segunda temporada que chega com a mesma robustez exibida na estreia em 2018, durante o Janeiro de Grandes Espetáculos.

"A ideia é reforçar a urgência dos assuntos, frutos de um sentimento coletivo que chega junto à necessidade de narrar e construir a nossa própria história como mulheres que somos", contou a cantora, compositora e dançarina Flaira Ferro, em conversa com a Folha de Pernambuco. A ela, que também é idealizadora do projeto, juntam-se Aishá Lourenço, Aninha Martins, Isaar, Isadora Melo, Laís de Assis, Luna Vitrolira, Paula Bujes, Sofia Freire e Ylana Queiroga.

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Com repertório que permeia o universo artístico de cada uma delas, a segunda temporada do espetáculo traz novidades que incluem, por exemplo, músicas inéditas e novos arranjos, levados pela mesma intensidade interpretativa que caracteriza o coletivo. "Com outras costuras, há mais picos e mais baixos na narrativa, que deixou de ter a linearidade da primeira temporada. Isso deixa a apresentação mais forte", ressaltou Juliana Santos, à frente da produção do Dita Curva que conta, também, com direção musical e artística, respectivamente, de Paula Bujes e Lili Rocha e iluminação de Natalie Revorêdo.

Para a cantora, compositora e instrumentista Isaar, fazer parte do grupo vai além das apresentações nos palcos, e funciona como uma espécie de cura para ela, para as demais integrantes e para os públicos que as assistem. "Tem sido uma verdadeira catarse para nós. Um encontro lindo que vai além da música porque levamos muito de cada uma de nós, e isso traz como retorno a cura, diante de um mundo tão machista e opressor. Quisemos buscar esse coletivo porque não tem como respirar de outra forma, enquanto mulher, enquanto cultura", ressaltou ela, à vontade junto às novas gerações que perfazem o coletivo. "Tem sido muito bom para mim estar em sintonia com essas meninas e tantos talentos", complementou.

Harmonia
Pouco importa a sequência de cada "ato" do espetáculo porque cada uma delas, em cena, se acrescentam. Ora pela alternância entre vozes, arranjos e interpretações, ora pela harmonia na troca de mensagens destemidamente expostas, sem deixar brechas. Tudo é dito, cantado, tocado, dançado e com intensidade, sem arrodeios.

"É tudo muito vivo. E estamos abertas a esse diálogo entre nós mesmas, cada uma com o seu direito de voz no grupo, de propor uma coisa nova, de trazer uma questão que está mais forte na própria vida. Vamos ouvindo umas às outras e filtrando o que cabe e, por isso, somos uma fonte inesgotável, com um trabalho sempre em construção, e como obra não finalizada em si, segue de acordo com o crescimento de todas nós", explicou Flaira, que comemora o circunstancial de ter, no espetáculo, a possibilidade de fala, nos tempos atuais.

"São questões como feminicídios e opressões que imprimem a urgência do espetáculo, é com essa força que voltamos e com o retrato de muita coisa que aconteceu em nossas vidas, em nosso País e no mundo. Fomos ressignificando o repertório e acho que tudo isso colabora para mostrar que estamos com mais fome ainda para o projeto", concluiu ela, que, junto às demais, após a reestreia no Recife, segue para apresentações em João Pessoa, São Paulo e Rio de Janeiro.

Em outubro, o espetáculo volta na Caixa Cultural. "A gente vai dar trabalho porque estamos aqui para falar sobre feminismo e outras falas pela frente", destacou Juliana Santos.

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