Teatro do Bonsucesso, em Olinda, é reaberto após 20 anos
Reinauguração, nesta terça-feira (30), será marcada por um recital de poesia
Quem mora ou costuma frequentar Olinda sabe que a cidade padece com a falta de equipamentos culturais em funcionamento. Há anos são esperadas as reaberturas de espaços como o Cine Olinda e o Cine Duarte Coelho, que ajudariam a movimentar a vida cultural no município para além do período carnavalesco.
Mas a população olindense tem, ao menos, uma notícia boa para comemorar. Após mais de 20 anos fechado, o Teatro do Bonsucesso, no bairro do mesmo nome, teve sua reforma finalmente concluída e será reinaugurado na terça-feira (30), às 9h, com um recital de poesia com atores olindenses.
O imóvel passou por várias reformas nunca finalizadas nas duas últimas décadas. A atual gestão municipal levou quatro meses para concluir a requalificação, que custou R$ 60 mil. O recurso é oriundo do Fundo Nacional de Cultura, do Ministério da Cultura (MinC). De acordo com o secretário de cultura da cidade, o teatro será devolvido com 123 lugares e sua estrutura física totalmente restaurada.
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As obras sanaram problemas com infiltrações, instalações elétricas, piso do palco, refrigeração, poltronas, telhado, portas e janelas. "Ainda falta instalarmos a iluminação cênica, que já foi adquirida. O sistema de som ainda será comprado, o que não impede que os artistas façam apresentações com equipamento alugado", explica.
No entanto, ainda não há programação definida para o espaço. "Logo depois do Carnaval, vamos sentar com a comunidade artística local e discutir como será a política de pautas do teatro", diz o secretário. "Quando o Teatro do Bonsucesso funcionava, existiam 43 companhias teatrais trabalhando no seu entorno. Hoje, não há mais nenhum. Portanto, reabrir esse lugar é reorganizar o movimento teatral de Olinda", reforça. O equipamento foi fundado na década de 1970, pela Associação de Rapazes e Moças do Amparo, de onde surgiu o Grupo Vivencial. Já nos anos 1980, foi sede da Associação de Teatro de Olinda (ATO).
Outros equipamentos
O secretário de Cultura promete reabrir mais um espaço entre o final de março e o começo de abril. Trata-se do Mercado Eufrásio Barbosa, no bairro do Varadouro. Em suas dependências está instalado o Teatro Fernando Santa Cruz, com capacidade para 109 espectadores. Outra reforma que pode finalmente sair do papel é a do Cine Olinda, localizado na Praça do Carmo. A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) publicou, na última sexta-feira, o edital para contratação da empresa de engenharia que executará a reforma do cinema fechado há mais de 50 anos.
Nova etapa para Teatro do Parque
A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) abriu um processo de tombamento do prédio onde fica o Teatro do Parque, no bairro da Boa Vista, área central do Recife. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado, no dia 22 de janeiro. O teatro está fechado desde 2010 para uma reforma que, até agora, não saiu do papel.
Em 2017, duas propostas de tombamento foram feitas à Secretaria Estadual de Cultura (Secult-PE), que converteu a demanda em um único processo. O deferimento foi concedido pelo secretário de Cultura, Marcelino Granja. Como justificativa, o fato de se tratar de um "imóvel centenário construído em estilo art-nouveau de relevante valor histórico e cultural". O edital de tombamento publicado no Diário Oficial também ressalta que o prédio onde fica o teatro é classificado como Imóvel Especial de Preservação (IEP) pelo Decreto Municipal 26.610/2012 e está inserido em uma Zona Especial de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural (ZEPHC).
Com a abertura do processo, o equipamento, que fica na rua do Hospício, passa a figurar na lista de imóveis submetidos ao regime de preservação de bens tombados até a efetiva inscrição da resolução de tombamento e de decreto correspondente no livro de tombo. Ou seja, mesmo antes da finalização do processo, o Teatro do Parque já está sob efeito das normas de proteção pelo poder público estadual, o que condiciona e limita qualquer intervenção em sua estrutura.
De acordo com a presidente da Fundarpe, Márcia Souto, o processo está em fase de análise técnica, que engloba levantamento histórico e estrutural do imóvel. O parecer será submetido ao Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural, que tomará a decisão final. A gestora destaca que, caso o tombamento seja aprovado, as chances de reabertura do teatro aumentam. “O Parque terá a chance de participar de editais específicos para a preservação de bens tombados, obtendo recursos também do Iphan”, explica.


