Teatro do Parque está entregue ao abandono

Prestes a completar 102 anos de fundação, o equipamento cultural permanece com os escombros de uma obra paralisada

Teatro do ParqueTeatro do Parque - Foto: Arthur Mota

Quando se fala no descaso do poder público com a cultura em Pernambuco, uma das primeiras imagens que vêm à mente é o Teatro do Parque de portões trancados. O equipamento cultural está fechado há sete anos e segue sem previsão de retorno. Uma reforma foi iniciada pela Prefeitura do Recife em janeiro de 2015, mas as obras estão paralisadas desde julho do mesmo ano, aguardando captação de verba.

Indignados com a atual situação, artistas locais de diversos segmentos prometem ocupar a frente do complexo cultural com 12 horas ininterruptas de atividades artísticas. A Virada Cultural do Teatro do Parque está prevista para ocorrer no dia 26 de agosto, das 10h às 22h. O ator e diretor Diógenes D. Lima foi quem instigou o movimento, convocando a classe artística através de um evento no Facebook. "Não é só um palco a menos para os artistas, mas também deixa de ser uma fonte de renda para o comércio em volta e uma opção de lazer e cultura para a população", defende Diógenes.

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A campanha também ganhou a adesão de nomes famosos, como os atores Bruno Garcia, Tonico Pereira e Antônio Calloni, que gravaram vídeos pedindo a volta do teatro. No próximo dia 24, aniversário de 102 anos do equipamento cultural, está prevista uma audiência pública sobre o assunto na Câmara Municipal do Recife, a partir das 9h.

Entenda o caso
O projeto de requalificação do Teatro do Parque foi divulgado em dezembro de 2014, com custo inicial na casa dos R$ 8 milhões e prazo de duração de 24 meses. No entanto, menos de um ano depois, a empresa licitada interrompeu a reforma e o contrato foi desfeito.

Diante da paralisação, em novembro do ano passado, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) ajuizou uma ação civil pública solicitando uma liminar para o reinício imediato das obras. A medida foi proposta pelo promotor Ricardo Coelho, que ainda aguarda a decisão do poder judicial sobre o caso.

"Tentamos, de todas as formas, fazer com que a Prefeitura aceitasse assinar um termo de ajustamento de conduta. Como não houve acordo, compreendemos que a situação não poderia esperar. Há um risco enorme desse patrimônio histórico e cultural ser perdido", afirma o promotor. Ainda de acordo com o representante do MPPE, a instituição avalia a possibilidade de protocolar também uma ação criminal contra o poder municipal por improbidade administrativa e abandono do patrimônio público.

Procurado diversas vezes pela Folha de Pernambuco, o Gabinete de Projetos Especiais da Prefeitura do Recife tem dado a mesma resposta desde que a reforma foi interrompida: a primeira etapa das obras foi concluída, sanando problemas na estrutura da edificação, como a substituição de telhas, fiação elétrica e tubulações. Nessa fase, foi investido pouco mais R$ 1 milhão.

Orçada em R$ 12 milhões, a segunda etapa do projeto trata da aquisição e instalação de iluminação, sonorização e mobiliário, além de projetor e tela. "A Prefeitura do Recife continua em negociação junto ao Governo Federal para captar os recursos necessários ", diz a nota oficial. Ainda de acordo com o gabinete, as negociações estão sendo realizadas diretamente com o Ministério da Cultura.

 

 

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