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Débora Falabella compara clima de repressão de 'Se Eu Fechar Os Olhos Agora' com o Brasil atual

Atriz teve de se despir um pouco de sua usual energia para viver a densa e reprimida Isabel, primeira-dama da fictícia cidade de São Miguel

Débora Falabella intepreta Isabel, primeira-dama da fictícia cidade de São Miguel, em 'Se Eu Fechar Os Olhos Agora'Débora Falabella intepreta Isabel, primeira-dama da fictícia cidade de São Miguel, em 'Se Eu Fechar Os Olhos Agora' - Foto: Divulgação/TV Globo

A versatilidade é uma das marcas de Débora Falabella. Com uma extensa e premiada carreira, ela já conquistou o público tanto pelas mocinhas açucaradas como por suas vilãs exageradas. Em “Se Eu Fechar Os Olhos Agora”, minissérie que estreia na Globo na próxima segunda, dia 15, a atriz teve de se despir um pouco de sua usual energia para viver a densa e reprimida Isabel, primeira-dama da fictícia cidade de São Miguel.

“Todo mundo nesse lugar esconde alguma coisa. É uma história cheia de nuances e mistérios. O melhor desse projeto é ser bem diferente de tudo o que a tevê brasileira vem produzindo”, exalta a atriz. Mineira de Belo Horizonte e torcedora do Cruzeiro, a estreia de Débora na tevê foi de forma tímida, com um pequeno papel na temporada de 1998 de “Malhação”. O reconhecimento, entretanto, só chegou depois de entrar, em 2000, para o elenco de “Chiquititas”, do SBT.

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“A novela lançou vários talentos. Tenho muito orgulho de ter feito parte desse projeto”, conta. A partir de trabalhos como “O Clone”, “Senhora do Destino”, “Sinhá Moça” e, sobretudo, “Avenida Brasil”, Débora acabou por integrar o time mais nobre de atores da Globo, com poder de negociação para escolher quais trabalhos quer fazer na emissora. “Mantenho uma relação saudável com quem paga o meu salário. Acho que, quando o profissional está feliz em um trabalho, todo mundo ganha”, destaca.

Confira entrevista com a atriz:

As gravações de “Se Eu Fechar os Olhos Agora” aconteceram em meados de 2017. Como é voltar a trabalhar esse trabalho agora por conta do lançamento?
Isso aconteceu poucas vezes na minha vida. É engraçado porque, a cada trabalho que faço, já é comum aguardar a resposta do público. Então, fica um estranhamento, mas também a certeza de que é um projeto experimental. Não só no conteúdo, mas no formato de lançamento. A gente está engatinhando com a questão do “streaming” e as novas janelas de transmissão.

Débora Falabella intepreta Isabel, primeira-dama da fictícia cidade de São Miguel, em 'Se Eu Fechar Os Olhos Agora'

Em que sentido?
A série foi lançada apenas na plataforma “on demand”, o Now da Net, e agora também estreia na Globoplay e na tevê aberta. É comum no exterior as pessoas terminarem um trabalho sem saber muito bem sobre sua exibição, pois a produção de conteúdo é enorme e para várias frentes de exibição. Eu já pude conferir esse trabalho na íntegra e acho que foi uma espera válida. “Se Eu Fechar Os Olhos Agora” chega para o grande público em um momento muito oportuno.

Como assim?
Acho que mesmo sendo de época, o texto e as imagens refletem muito do que a gente vive hoje. A história é ambientada nos anos 1960, em uma pequena cidade do interior do Rio de Janeiro. Porém, muito além da ambientação, é uma trama que poderia ser contada em qualquer lugar onde as pessoas se sintam estagnadas no tempo. Então, é possível fazer um paralelo do que estamos vivendo, onde nada no país avança e a luta para não regredir muito é diária.

Recentemente, você protagonizou “Nada Será Como Antes”, minissérie também ambientada nos anos 1960 e com referências estéticas parecidas. Você teve receio de se repetir em cena?
Antes de ler o roteiro, fiquei meio pensativa. Mas embora sejam da mesma época, são histórias com caminhos e gêneros diferentes. “Nada Será Como Antes” tinha um cunho histórico muito bem delineado e abordava o cotidiano de mulheres à frente de seu tempo. Agora, o contexto é outro. Em “Se Eu Fechar Os Olhos Agora”, a mulher se coloca na sociedade sempre de forma subserviente ao marido. Isso muda tudo no trabalho, os figurinos, o gestual. A Isabel é uma primeira-dama extremamente contida.

Conseguiu usar alguma referência de sua atuação como Sarah Kubitschek de “JK” (2007)?
Sarah era uma mulher iluminada. Talvez tenha trazido um pouco da elegância dela. Mas Isabel percorre outros caminhos. Ela transita entre a amargura e a aparência. Aliás, todos os personagens dessa série parecem esconder alguma coisa. A trama nasce dessa repressão de desejos, opiniões e sensações. Junto com a direção, fizemos um trabalho de preparação com muitas referências cinematográficas. Acabei lembrando da minha juventude.

Por quê?
O Manguinha (Carlos Manga Jr., diretor) nos deu uma lista de filmes como base para o clima da série, títulos dirigidos por profissionais que eu adoro como Alan Parker, John Boorman, Ken Loach e David Lynch. Muitos dos filmes eu assisti com meu pai. Então, foi como uma saudosa volta no tempo.

“Se Eu Fechar Os Olhos Agora” é o quarto trabalho onde você contracena com seu marido, Murilo Benício. O que leva vocês a se envolverem no mesmo projeto?
É uma junção de fatores. Mas, essencialmente, os dois últimos trabalhos juntos nasceram de um convite que encantou os dois. Eu não vejo qualquer problema em sempre trabalhar com as mesmas pessoas quando eu as amo e admiro. Tenho uma companhia teatral e há 13 anos que a gente convive e trabalha em diversos projetos. O bom de trabalhar com o Murilo é que a gente tem a praticidade de passar o texto em casa (risos).

Vocês engataram um romance nos bastidores de “Avenida Brasil”, um folhetim que repercute até hoje. Qual sua principal lembrança da novela?
É um sucesso sem fim. Sou amiga da Adriana Esteves e sempre que a gente sai para jantar juntas é uma confusão. Aparece um monte de gente, diversos fotógrafos e as redes sociais vão à loucura, sempre fazendo referências à Nina e Carminha. Eu tive diversas personagens de sucesso antes da Nina, mas ela me fez conhecida no mundo todo. Não foi um papel que me paralisou. Me divirto e sou muito grata por estar envolvida em uma produção que tocou tantas pessoas.

“Se Eu Fechar Os Olhos Agora” estreia segunda, dia 15 de abril, às 22h30, na Globo.

Força ecológica
Longe das novelas desde “A Força do Querer”, de 2017, onde viveu a passional e aproveitadora Irene, Débora Falabella ainda não sabe ao certo se estará ou não no elenco de “Amor de Mãe”, novela que marcará a estreia da autora Manuela Dias no horário das nove, em 2020. “Toda hora me sondam para algum projeto. Só sei que estarei no elenco quando me chamarem para a primeira leitura do texto”, brinca. Por enquanto, ela estuda o roteiro da segunda temporada de “Aruanas”, série produzida para a Globoplay.

Com estreia prevista para o próximo semestre, a série, cuja a primeira temporada foi gravada no ano passado, é ambientada no coração da floresta amazônica e inspirada em histórias reais. A trama aborda o cotidiano de uma ONG criada por três amigas para a proteção ambiental. Em cena, Débora divide a cena com suas colegas de geração Camila Pitanga, Leandra Leal e Taís Araújo. “Poder conviver com essas mulheres maravilhosas alguns meses do meu ano é muito maravilhoso. Estamos muito animadas com essa série”, garante.

De outros tempos
Personagens de época são frequentes na carreira de Débora Falabella. Sua estreia no gênero foi em “Um Só Coração”, minissérie ambientada no início do Século XX, que celebrava os 450 anos da cidade de São Paulo, exibida em 2004. “Sou apaixonada por tramas de época. Ainda mais quando é possível ter um contexto história consistente”, valoriza.

Dois anos depois, Débora viajou para os anos progressistas anos 1950 em “JK” e em seguida protagonizou o “remake” de “Sinhá Moça”, novela que flagrava o Brasil às vésperas da independência e abolição da escravatura. Mais recentemente, o mergulho de Débora foi nos anos 1960, onde protagonizou “Nada Será Como Antes”, que abordava os primeiros anos da televisão no país. “São trabalhos que falam do Brasil com esperança, mas sem esquecer dos erros políticos que nos transformaram em uma sociedade tão desigual e injusta”, acredita.

Instantâneas
# Débora Falabella começou a estudar teatro e se envolver com peças amadoras quando ainda tinha 12 anos.

# A atriz ficou apenas seis meses na temporada de 1998 de “Malhação”. Sua personagem acabou não tendo muito apelo com o público.

# No tempo em que interpretou a pequena Estrela de “Chiquititas”, Débora morou em Buenos Aires, onde a novela do SBT era gravada.

# Débora começou a namorar Murilo Benício nos bastidores de “Avenida Brasil”, de 2012. Uma década antes, eles interpretaram pai e filha em “O Clone”.

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