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Protagonista de 'Sob Pressão', Julio Andrade se recusa a acreditar no fim da série

Ator ainda exalta os temas da nova temporada da produção

Júlio Andrade protagoniza a série 'Sob Pressão'Júlio Andrade protagoniza a série 'Sob Pressão' - Foto: Divulgação/TV Globo

Se somar o filme original, de 2016, e as três temporadas de “Sob Pressão”, o controverso médico Evandro é o personagem mais recorrente da carreira de Julio Andrade. Sem disponibilidade - e paciência - para novelas e com a urgência de sempre contar uma nova história, o ator se deixa seduzir pela série médica da Globo justamente pelas transformações que o papel sofre a cada nova aparição.

“É um personagem que cresce em meio a muitas adversidades. Evandro tem muitos problemas internos e acaba se anulando um pouco por conta de seu compromisso profissional em ajudar o próximo. A nova temporada representa um recomeço. Ele pode seguir por um novo caminho ou consertar os erros do passado”, analisa o ator, ainda descrente sobre a decisão da Globo em botar um ponto final na história. “Acho que a série ainda tem muito o que falar. Porém, se for mesmo o fim, a gente encerra o projeto com chave de ouro”, valoriza.

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Gaúcho de Porto Alegre, a estreia de Julio na tevê foi com uma pequena participação em “Luna Caliente”, minissérie de 1999 coproduzida pela Globo com a Casa de Cinema de Porto Alegre. Nos anos seguintes, o ator caiu nas graças de cineastas como Beto Brant, Suzana Amaral e Breno Silveira. Por conta dos filmes, chamou a atenção de diretores e autores de tevê, e acabou convidado para produções como “Passione”, “Doce de Mãe” e “O Rebu”.

Atualmente, aos 42 anos, além de viver o papel principal de “Sob Pressão”, Julio também protagoniza a frenética “1 Contra Todos”, série do canal pago Fox. “Estou feliz por estreitar os laços com a televisão. Ainda sou muito ligado ao método de cinema. Então, a tevê me leva a uma desconstrução como ator”, ressalta.

A série médica "Sob Pressão" vai ao ar todas as quintas-feiras, às 22h30, na TV Globo.

Confira a entrevista com o ator:

A Globo definiu que a terceira temporada de “Sob Pressão” será a última. Como você recebeu essa informação?
Eu ainda não processei. Na verdade, ainda acredito que a série possa ter uma sobrevida (risos). Temos boa audiência, apelo popular e acredito que muita qualidade técnica da produção. Fazemos uma série médica bem peculiar, extremamente brasileira e que se propõe a ter um elo com a realidade. Já fizemos episódios e vimos uma história semelhante acontecer de fato meses depois. A série representou um avanço muito grande em mim. Não só como ator, mas como pessoa também.

Em que sentido?
Representa minha maturidade profissional e minha aproximação real com a televisão. “Sob Pressão” aborda questões muito importantes para a atualidade. A série levanta mesmo a bandeira da diversidade e de problemas que são esfregados na nossa cara todos os dias nos telejornais, como a corrupção estrutural, a violência contra minorias, o machismo, a falta de poder do Estado e ascensão das milícias, que é um dos motes da nova temporada. Me dá um orgulho enorme fazer parte de uma produção do tipo.

Depois de perder a esposa na primeira temporada e reforçar a relação com a Carolina (Marjorie Estiano) no segundo ano da série, quais as motivações do Evandro nos novos episódios?
Essa riqueza no desenvolvimento dos personagens é outro ponto muito forte de “Sob Pressão”. O Evandro e a Carolina terão outros problemas ao longo da terceira temporada. Ao mesmo tempo em que eles querem se comprometer ainda mais um com o outro, inclusive com a possibilidade de ter um filho, surgem elementos que vão criar um natural afastamento entre eles.

Além de atuar, essa temporada também marca sua estreia na equipe de direção da série. Como isso aconteceu?
Não foi algo premeditado. O dia a dia no “set” de gravação acabou me levando por esse caminho. Sou muito “rato” do cinema. Como moro em São Paulo e a série é gravada no Rio de Janeiro, mesmo quando não tinha cena para fazer eu ia para as gravações. Amo o que faço e respiro esse universo. Aí, um belo dia, o Andrucha (Waddington, diretor) me viu acompanhando a cena e me presenteou com uma câmera para fazer cenas mais fechadas. Foi uma experiência maravilhosa e espero que as cenas tenham ficado muito legais.

É um caminho que você pretende explorar mais a partir de agora?
Sim. Acho que só faltava esse “empurrão”. Dirigir é algo que está em mim desde a infância. Meu pai alugava câmeras para registrar momentos importante em festividades e eu sempre dava um jeito de ser o responsável pelas filmagens. Tenho imagens da minha família toda de muito tempo atrás. Dirigir é algo que já estava em mim, mas também não queria forçar a barra. Agora, pretendo estudar para poder aprimorar essa outra faceta.

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