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Tempero (e sotaque) de Érick Jacquin

“Chef” estreia como apresentador de forma equilibrada no divertido “Pesadelo na Cozinha”

Francês radicado no Brasil desde 1994, Érick superou fama de rabugento e egocêntricoFrancês radicado no Brasil desde 1994, Érick superou fama de rabugento e egocêntrico - Foto: Divulgação

 

Sucesso de audiência e com grande repercussão nas redes sociais, o “MasterChef” é o carro-chefe da programação da Band dos últimos anos. E não adianta apenas criar versões infantis e profissionais do formato, a direção da emissora parece querer destrinchar ainda mais seu trunfo. É seguindo essa ideia que a Band produz o “Pesadelo na Cozinha”, “reality” protagonizado pelo “chef” e jurado do “MasterChef” Érick Jacquin.

Francês radicado no Brasil desde 1994, ele superou a fama de rabugento e egocêntrico e ganhou o público da disputa de cozinheiros por conta de seu sotaque carregado e jeito emotivo. Mas é justamente sua porção mais raivosa que é destacada na nova produção, baseada no original “Ramsay’s Kitchen Nightmares”, programa inglês apresentado pelo não menos irritável Gordon Ramsay.
Em 13 episódios, Jacquin visita restaurantes à beira da falência com a missão de salvar os negócios. Até chegar ao seu objetivo, o “chef” precisa ir além das contas e cardápio de cada empreendimento: tem de atenuar as rusgas pessoais entre os envolvidos.

Lidando com forte material humano, Jacquin surpreende ao equilibrar bem seu jeito intempestivo com a calma de um apaziguador. Boa parte do bom desempenho como apresentador vem de sua experiência de três anos à frente do “MasterChef”, onde divide os louros com a jornalista Ana Paula Padrão e os também cozinheiros renomados Paola Carosella e Henrique Fogaça.

A escolha de Jacquin para protagonizar o “Pesadelo na Cozinha” foi proposital. Antes de aparecer na televisão, seus restaurantes estavam passando por sérias crises financeiras e respondendo a processos trabalhistas. No ar, ele parece conhecer bem as engrenagens de uma cozinha e o que pode ou não estar afetando o bom funcionamento da empresa.

Por trás das câmeras, é visível o esmero dos roteiristas em tornar boas histórias ainda mais atraentes e fazer da cidade de São Paulo, conhecida por sua grande variedade gastronômica, um personagem importante. Infelizmente, disposta a faturar o máximo possível, a Band acaba prejudicando o programa por conta de seus longos 90 minutos de duração. Caso os personagens não sejam lá tão instigantes, o programa corre o risco de se tornar maçante.

 

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