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Cinema

'Tempo', novo filme de M. Night Shyamalan, assusta com terror existencialista

Adaptação de uma HQ, longa traz Gael García Bernal e Vicky Krieps no elenco

"Tempo" estreia nos cinemas brasileiros"Tempo" estreia nos cinemas brasileiros - Foto: Divulgação

Se você é o tipo de pessoa que tem a sensação de que os dias estão passando rápido demais, provavelmente ficará aterrorizado com o novo suspense do cineasta indiano M. Night Shyamalan. “Tempo”, que chega nesta quinta-feira (29) aos cinemas brasileiros, traz o envelhecimento e o medo da morte como os principais vilões de uma narrativa angustiante. 

O filme é uma adaptação da HQ “Castelo de Areia”, de Pierre Oscar Lévy e Frederik Peeters, e conta com uma premissa intrigante. De férias em uma ilha tropical, uma família descobre uma praia isolada e resolve visitá-la para relaxar por algumas horas. Lá, eles encontram outros visitantes e, juntos, acabam percebendo que o tempo naquele local é mais acelerado. Poucos minutos se transformam em anos e, para completar, há uma força misteriosa que os impede de deixar o lugar. 

O terror visto em “Tempo” é existencial. Envelhecendo rapidamente, os personagens dão de cara com o medo de que o fim de todos esteja cada vez mais próximo. Os adultos se tornam idosos e as crianças atingem a maturidade sem vivenciarem fases importantes da vida. Eles passam a buscar maneiras de escapar da praia em conjunto, ao mesmo tempo em que precisam lidar com um crescente de desentendimentos e dramas internos.

Por trás do horror que cerca os personagens, o roteiro estabelece reflexões sobre como lidamos com o tempo. Ao colocar no centro da trama uma família enfrentando uma crise no relacionamento, aponta para a observação de que a vida é curta demais para ser desperdiçada com brigas e afastamentos. Parece clichê e, de fato, é. 

Shyamalan é um diretor com trajetória irregular no cinema. Seu currículo de longas-metragens carrega trabalhos brilhantes, como “O Sexto Sentido” (1999) e “Corpo Fechado” (2000), mas também verdadeiros fiascos, a exemplo dos sofríveis “O Último Mestre do Ar” (2010) e “Depois da Terra” (2013). No terreno nos thrillers é onde ele costuma se sair melhor, mas ainda sim “Tempo” é um filme com erros e acertos. 

Embora o argumento do roteiro seja propício a um horror de natureza psicológica, há alguns momentos em que o susto ocorre de maneira mais visual. Essas cenas, que surgem próximo ao final do longa, soam um tanto constrangedoras e destoam totalmente com o tom adotado no início da obra. Também não é muito bem-sucedida a tentativa de um encerramento cheio de explicações, algo que não ocorre nos quadrinhos que originaram a produção. Nos minutos finais do filme, o diretor parece esquecer as lições do próprio filme e corre contra o tempo para entregar ao público um desfecho conclusivo. 

Um dos pontos fortes do suspense é, sem dúvidas, seu elenco estelar, com atores de diferentes nacionalidades. O mexicano Gael García Bernal e a luxemburguesa Vicky Krieps dão vida aos pais da família de protagonistas, cujos filhos são interpretados pelo norte-americano Alex Wolff e pela neo-zelandesa Thomasin McKenzie, na fase adulta. Destaque ainda para o britânico Rufus Sewell, na pele de um médico racista. Nos Estados Unidos, a produção vem superando as expectativas de público, tomando de “Space Jam: Um Novo Legado” a liderança nas bilheterias da última semana.

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