Cinema pernambucano

Thomás Aquino estrela 'Curral', novo filme de Marcelo Brennand

No primeiro longa-metragem de ficção do diretor, o ator pernambucano vive um cabo eleitoral

Thomás Aquino interpreta Chico Caixa em "Curral"Thomás Aquino interpreta Chico Caixa em "Curral" - Foto: Daniela Nader/Divulgação

Desde que surgiu nas telas como o justiceiro Pacote/Acácio, no premiado “Bacurau”, o nome do recifense Thomás Aquino ganhou projeção nacional. A atuação no longa dos conterrâneos Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles rendeu convites para trabalhar em projetos de outros. Um deles foi “Curral”, primeiro longa-metragem de ficção do também pernambucano Marcelo Brennand.

O filme integra a 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que desde a semana passada ocorre em formato online, e também será exibido em cinema drive-in, nesta quarta-feira (28), na capital paulista. Lançado em ano de eleições municipais, a obra traz um drama político ambientado em Gravatá, no Agreste de Pernambuco. Thomás dá vida a Chico Caixa, que trabalha na campanha do seu amigo de infância Joel (Rodrigo García), candidato a vereador.



“O Chico é um cara muito conhecido e respeitado na cidade. Por isso, ele é um cabo eleitoral no qual os candidatos se apoiam para ganhar os votos. O bacana do personagem é ver o caminho que ele percorre. É alguém que tenta resolver as coisas com as próprias mãos, achando que está beneficiando as outras pessoas, mas acaba sendo corrompido por essa velha política”, adianta o ator.

Na trama, a população se divide entre forças políticas rivais, representadas pelas cores Azul e Vermelha. Em função da seca que afeta a região, a água acaba sendo a principal forma de compra de votos. A proposta do longa surgiu após o diretor realizar o documentário “Porta a Porta”, em 2008, que acompanhava as estratégias de candidatos ao cargo de vereador e seus apoiadores.

Thomás Aquino e Rodrigo Garcia em Drama político dá o tom 'Curral' (Foto: Daniela Nader/Divulgação)

“Vejo em Marcelo um jovem cineasta com muitos sonhos e isso me encanta. Enquanto artista, é muito bom para mim poder conhecer novos diretores e diretoras, sentindo a diferença e o potencial de cada um”, comenta. As parcerias estabelecidas por Thomás nos últimos tempos vem rendendo bons frutos. Em setembro, ele recebeu o título de Melhor Ator Coadjuvante do Festival de Gramado, pelo filme “Todos os Mortos”, de Caetano Gotardo e Marco Dutra. Com o diretor Esmir Filho, ganhou um papel de destaque em “Boca a Boca”, da Netflix.

Não deve demorar muito para o espectador voltar a ver o rosto de Thomás em outros projetos para o cinema. Ele aguarda a estreia de quatro filmes. No ano passado, ele filmou “As Verdades”, de José Eduardo Belmonte, com Drica Moraes, Lázaro Ramos e Bianca Bin no elenco. Também participou de “Deserto Particular”, de Aly Muritiba; “Paterno”, de Marcelo Lordello; e “Serial Kelly”, de René Guerra. Atualmente, o ator está passando um período no Uruguai, onde filma um trabalho sobre o qual, por contrato, não pode revelar muita coisa.

“É emocionante poder voltar a filmar, ver o set com toda a equipe trabalhando novamente. Outras produções brasileiras também estão vindo gravar no Uruguai, porque aqui o governo conseguiu controlar melhor a pandemia. Conseguimos fazer o nosso trabalho com segurança”, revela.

Carreira

Antes de brilhar nas telas, Thomás Aquino fez do palco sua segunda casa. Hoje com 34 anos, o ator teve sua primeira experiência de atuação no espetáculo “O Grande Circo Místico", aos 20. “Desde a época do colégio, as pessoas diziam que eu era desinibido e falavam que deveria ser artista. Mas nunca havia me passado pela cabeça a ideia de ser ator, até que vi no jornal um anúncio de teste de elenco para uma peça . Eu me joguei nisso, acabei me apaixonando pela arte e nunca mais quis sair dela”, conta o artista, que chegou a cursar a faculdade de jornalismo e competir como jogador de basquete profissional pelo Sport Clube do Recife.

Foi o teatro que levou o pernambucano a, em 2014, se mudar para o Rio de Janeiro. Depois de integrar o grupo Quadro de Cena, ele foi aprovado na seleção para um papel no musical “Ópera do Malandro”, com direção de João Falcão. Morando em São Paulo atualmente, Thomás diz que sente falta de trabalhar com teatro, mas não esconde que seu foco agora é outra linguagem. “Pretendo voltar aos palcos, mas não agora. Venho surfando numa onda de bons projetos no audiovisual e quero me aprofundar cada vez mais nisso”, revela.

Thomás também não nega que “Bacurau” tenha tido um peso importante para o bom momento que vive na carreira. O longa segue repercutindo pelo mundo (recentemente, estreou nos cinemas do Japão) e faz com que o ator seja reconhecido pelo papel de Pacote. “Sem dúvidas, é um dos filmes mais importantes da minha carreira. Só tenho a agradecer a esse personagem, que foi um grande presente que a vida me deu. Espero que esse seja só o início de uma trajetória que me proporcione outros grandes papéis que possam me marcar pela memória”, declara.

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