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'Todo o dinheiro do mundo' é marcado por reviravolta nos bastidores

Filme, que estreia nesta quinta-feira (1º) nos cinemas, tomou outra proporção após as acusações de assédio em Hollywood

Christopher Plummer foi convidado para o papel no lugar de Kevin SpaceyChristopher Plummer foi convidado para o papel no lugar de Kevin Spacey - Foto: Diamond Films/Divulgação

"Todo dinheiro do mundo", que estreia nesta quinta-feira (1º) nos cinemas, virou notícia por motivos inesperados: Kevin Spacey era o protagonista do filme, várias cenas já haviam sido gravadas, mas então o ator confirmou as acusações de assédio feitas pelo também ator Anthony Rapp, em outubro do ano passado.

A produção do longa decidiu, de forma unânime, pela troca no elenco: Spacey foi cortado e Christopher Plummer foi convidado para o papel de J. Paul Getty, bilionário que nos anos 1970 se recusou a pagar o resgate do neto sequestrado, Paul Getty (Charlie Plummer).

O filme é baseado em eventos reais: o crime ocorreu em 1973, quando Getty já era famoso por ser bilionário. Ele fundou a Getty Oil Company e, ao extrair petróleo, se tornou uma das pessoas mais ricas do mundo - quando morreu, em 1976, sua fortuna era estimada em U$ 6 bilhões. O que move o filme então é esse homem que, mesmo tendo todo o dinheiro do mundo, se recusa a dar U$ 17 milhões para os sequestradores e assim salvar a vida de seu neto, mesmo que seu rendimento mensal exceda em muito esse valor.

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Dirigido por Ridley Scott, o filme modifica a história real por motivos dramáticos, remodelando eventos segundo interesses narrativos. O essencial parece ser a maneira como esse homem bilionário é incapaz de se desfazer de uma pequena parte de sua fortuna para salvar a vida de uma pessoa querida.

A força do longa-metragem está na interpretação de Plummer: uma hora, um avô carinhoso, em outro momento, um empresário implacável aparentemente desprovido de empatia ou qualquer outra característica vagamente associada aos humanos.

É essa ambiguidade na atuação de Christopher Plummer que torna o filme interessante. Scott falou em entrevistas que não vai divulgar as gravações de Kevin Spacey, mas através de imagens vazadas é possível notar uma maquiagem pesada que pende um pouco para a caricatura, enquanto Plummer consegue repassar todo um panorama contraditório e envolvente de emoções apenas com a força de seu silêncio e a expressividade de seus gestos e olhares.

O problema parece ser a atuação de Michelle Williams e Mark Wahlberg, que não conseguem estabelecer uma conexão emocional empolgante. Ela é Gail, mãe do garoto sequestrado, ele é Fletcher, contratado por Getty para cuidar do caso. O roteiro coloca ambos em situações complexas, mas nenhum dos dois parece particularmente inspirado. Em menos tempo em cena, Cinquanta (Romain Duris), um dos sequestradores, consegue ser muito mais surpreendente e interessante.
"Todo dinheiro do mundo" parece um filme cuja empolgação não segue além da sessão de cinema; se não estivesse associado ao caso de assédio de Spacey, certamente passaria despercebido e eventualmente esquecido.

Cotação: regular


Bastidores

- A decisão de retirar Kevin Spacey de "Todo dinheiro do mundo" ocorreu pouco mais de um mês antes do lançamento, no dia 22 de dezembro.
- As refilmagens com o ator canadense Christopher Plummer ocorreram durante oito dias e custaram aproximadamente US$ 10 milhões.
- Plummer comentou que estava preparado para substituir Spacey porque ele tinha sido considerado para o papel e já tinha lido o roteiro.
- O ator teve menos de duas semanas para decorar as falas, mas teve a vantagem de ter conhecido Getty em Londres, nos anos 1960.
- Mark Wahlberg e Michelle Williams tiveram que retornar a Roma durante o feriado de Ação de Graças. Wahlberg recebeu US $1,5 milhão, enquanto Williams ganhou US$ 1 mil.

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