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Trama de “Rock Story” perde força com situações repetitivas

Apesar de confortável, audiência está estagnada; problema é comum a todas as obras de dramaturgia

Julia (Nathalia Dill) e Diana (Alinne Moraes) estão no elenco da novela da Rede GloboJulia (Nathalia Dill) e Diana (Alinne Moraes) estão no elenco da novela da Rede Globo - Foto: Divulgação

A estrutura narrativa das novelas mudou bastante ao longo dos anos. Nos anos 1970 e 1980, era comum a história desenvolver temas de forma mais lenta. Uma internação médica ou o assassinato misterioso de algum personagem conseguiam segurar o telespectador por meses. Hoje, no entanto, o ritmo frenético e contemporâneo dos fatos acabou afetando a teledramaturgia.

Além de ter um bom gancho inicial, os autores precisam manter a cadência dos acontecimentos e sempre criar novas reviravoltas para não entediar o público. De início estrategicamente veloz, “Rock Story” conquistou telespectadores com uma abordagem sóbria e sem firulas. No entanto, três meses depois, a trama de Maria Helena Nascimento começa a dar sinais de desgaste.

O problema em “Rock Story” é comum em qualquer obra de dramaturgia. Ao chegar à metade, a novela parece estagnada. A maioria dos personagens está andando em círculos e se repetindo. A paixão adolescente entre Diana e Léo, de Alinne Moraes e Rafael Vitti, durou mais do que o necessário e acabou esvaziada. Assim como as vilanias de Lázaro, o empresário vivido por João Vicente de Castro. Inexperiente, o comediante não se encontrou no papel de vilão. Por outro lado, a história de amor entre Gui e Julia, de Vladimir Brichta e Nathalia Dill, continua a render ótimos momentos. Unir um roqueiro desequilibrado em busca de redenção e uma mocinha em plena fuga para não ser presa injustamente é um dos grandes trunfos da autora, estreante no posto de novelista titular.

Outro ponto forte da novela é o humor. Diluído em quase todos os núcleos, a comicidade da trama tem risos garantidos na figura exagerada de Néia, vivida por Ana Beatriz Nogueira, e no casal Edith e Nelson, coadjuvantes de Viviane Araújo e Thelmo Fernandes. O diretor Dennis Carvalho se mostra à vontade no tom leve da trama. Desde “Lado a Lado”, de 2012, que Dennis não entrega um trabalho tão inspirado e com direção musical eficiente. Sinal de que enveredar pelo universo dos musicais, com o espetáculo baseado na vida da cantora Elis Regina, fez muito bem ao diretor. Estagnada, mas mantendo seus méritos, “Rock Story” precisa urgentemente deixar velhos vícios folhetinescos de lado, valorizar o meio da história e manter seu bom ritmo de acontecimentos.

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