Transcendência de um drama humano

Filme “A Chegada”,em cartaz, se utiliza do recurso da ficção científica para expor as relações humanas

Em sabatina, Mendonça alfineta HumbertoEm sabatina, Mendonça alfineta Humberto - Foto: Bruno Campos/Divulgação

 

A ficção científica é um meio para refletir sobre um dos mistérios fascinantes da humanidade: a busca por vida inteligente além da Terra. É um gênero que no cinema pode ser tão variável e diverso quanto “E.T. - O Extraterrestre” e “Independence Day”, dramas existenciais e guerras interplanetárias, uma maneira para expandir ideias sobre a humanidade e uma forma de gerar entretenimento através do fascínio pela tecnologia. É esse o território de “A Chegada”, filme que estreou no circuito pernambucano. 

A história começa com 12 naves extraterrestres pousando em diferentes partes do mundo. A abordagem do cineasta Denis Villeneuve tende ao realismo: pessoas em pânico, líderes mundiais na iminência de iniciar um ataque, efeitos sociais de um evento histórico. O coronel Weber (Forest Whitaker), do exército norte-americano, convida a doutora Louise (Amy Adams), especialista em línguas e formas de comunicação, e o físico Ian (Jeremy Renner), para iniciar contatos com uma das naves e assim tentar desvendar as motivações dos alienígenas.

Desde a primeira cena há uma ênfase na construção de uma ambiência dramática, um clima de que há algo maior em desenvolvimento. Villeneuve consegue isso através da combinação entre trilha sonora, fotografia e movimentos de câmera, recursos manipulados como forma de direcionar o espectador pela trama e indicar surpresas.

 É uma história que cresce por caminhos inesperados e aos poucos parece evidente que os extraterrestres são recursos narrativos para criar uma personagem fascinante - a protagonista e seu processo de descobertas - e um comentário sobre as relações entre pessoas, a iminência da guerra, as tensões sociais que podem gerar conflitos de grandes proporções.  

O enredo prioriza o gradual entendimento entre Louise e os extraterrestres: o contato imediato através da fala, do gesto e do significado das palavras e do potencial discursivo que elas têm são momentos fantásticos. É a palavra, a linguagem, o mistério fundamental: a salvação e, de certa forma, o luto estão contidos no entendimento dos termos, uma ideia belamente filmada por Villeneuve; em outros instantes o melodrama surge com força desproporcional, clichês e um tipo de exagero romântico fora de ritmo em relação à história.

Villeneuve sugere conceitos como a fluidez do tempo e a memória como algo que flutua para além dos parâmetros tradicionais de data e hora para compor a tragédia emocionante da protagonista. É nesse sentido um filme que se aproxima do cinema de Terrence Malick, autor de filmes contemplativos que têm uma força peculiar nas palavras: um filme que transcende de forma intrigante as fronteiras da ficção científica e sugere um drama inteiramente humano.

 

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