Rômulo Estrela sobre papel em Três Graças: "Ele não tem medo de expor o tamanho do sentimento dele"
Ator, que vive na trama o policial Paulinho, interpreta um homem que se permite sentir e demonstrar afeto
Na pele do policial Paulinho de “Três Graças”, Romulo Estrela reconhece que o personagem ultrapassa os limites da dramaturgia e reverbera diretamente em sua vida pessoal.
Ao interpretar um homem que se permite sentir, demonstrar afeto e respeitar o tempo do outro na novela das 21h da Globo, o ator admite que leva esses aprendizados para dentro de casa.
Segundo ele, essa troca passa especialmente pela forma como o personagem lida com os sentimentos e com os limites dentro de uma relação.
Em um relacionamento amoroso há 15 anos, ele vê na trajetória do policial um lembrete constante de que vínculos afetivos exigem atenção contínua.
Romulo sente que o espectador se interessa pelos dilemas de Paulinho - tanto na investigação do esquema criminoso que atravessa a trama quanto no relacionamento com Gerluce, vivida por Sophie Charlotte.
Entre os conflitos que mobilizam a audiência, um se destaca: a possibilidade de o policial ter de agir contra a própria companheira.
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Como você se sente em relação à novela “Três Graças”, depois de passar cerca de dois anos longe do gênero e mais uma vez como um mocinho das 21h?
A novela é bem escrita e tem personagens maravilhosos. Que bom que a audiência está acompanhando essa história que a gente está querendo contar.
Acho que, depois de dois anos longe das novelas, voltar agora fazendo “Três Graças”, com esse personagem que me dá muitas possibilidades, é maravilhoso.
E que bom que ele caiu no gosto do povo, que ele está servindo aí, de alguma maneira, como referência em alguns pontos importantes.
Você falou que aprende com o Paulinho. Em que sentido, em termos práticos?
Eu acho que o Paulinho é um cara muito gentil, por exemplo. Ele não tem medo de expor o tamanho do sentimento dele.
Foi arrebatado pelo que sente pela Gerluce e não escondeu isso. À medida que teve espaço para falar, sem que ele a sufocasse, ele falou.
Conforme ela foi dando espaço, ele pôde demonstrar o tamanho desse amor. Eu acho que esse respeito que o Paulinho tem, essa tranquilidade para viver o aqui e o agora, é uma coisa que eu, Romulo, admiro muito no meu personagem, gosto de interpretar isso e faço esse exercício para a minha vida.
De que forma?
Entendendo onde começam e onde terminam os meus limites, sobretudo no relacionamento. Sou casado há 15 anos, eu tenho a minha companheira de 15 anos já, temos filho juntos, mas, ainda hoje, isso é um ponto de atenção e acho que vai ser sempre.
A gente muda com os anos... Então, acho que essa atenção é uma coisa que o Paulinho me reacendeu. É falar que o jogo não está ganho, que tem de ser jogado.
Você acha que vai chegar o momento em que Paulinho vai ter de prender a Gerluce?
Olha, nem eu sei ainda. Mas acho que esse vai ser um momento difícil para os dois. Eles viveram um momento de lua-de-mel, mas acho que é bom, de verdade, para a nossa dramaturgia, à qual a gente está acostumado nas novelas, esses altos e baixos dos personagens.
Isso é muito legal. Eu, como intérprete, como ator, fico muito feliz e torço por isso. Eu sei que o público não quer ver, mas acho que vai ser legal para a construção da história deles. Eu acho que isso pode fortalecer um pouco essa relação. Mas não sei mesmo o que vai acontecer.
Existem traços do passado do Paulinho que ainda parecem escondidos...
Tem um negócio muito legal em relação a um episódio do passado, mas eu já gravei essa cena, que é sobre o porquê de Paulinho ser esse cara que se dedica tanto quando encontra essa mulher, esse amor. Isso tem muito a ver com o passado dele.
É uma coisa que a gente já falou: ele é um cara que já foi casado, mas deixou essa vida porque foi incompatível com o trabalho. Como ele é um cara extremamente ético e profissional, se dedicou a esse trabalho e pagou o preço por isso.

