Trilogia "Xampu", lançada em box, salta aos ouvidos

HQ retrata o cotidiano de jovens paulistas em um ambiente barulhento, vivido entre os anos 1980 e 1990

Personagens e tramas se entrelaçam aos sons de guitarras, baterias e baixo do rock’n’rollPersonagens e tramas se entrelaçam aos sons de guitarras, baterias e baixo do rock’n’roll - Foto: Reprodução

O universo dos anos 1980 e 1990 permeia “Xampu”, trilogia de histórias em quadrinhos escritas e desenhadas por Roger Cruz, vencedor do troféu HQMIX e renomado artista de títulos como “X-Men”,” Homem-Aranha” e “Hulk”, na esfera internacional, e “Turma da Mata - Muralha” e de “MSP+50 - Mauricio de Sousa por Mais 50 Artistas”, nacionalmente. A série ganha, agora, uma edição exclusiva em box, parceria entre a Panini e Stout Club, que engloba os três volumes de HQs.

Diferentemente de suas histórias de super-heróis, Cruz explora, em “Xampu”, o cotidiano de jovens paulistas com ar de nostalgia - antes da internet, do celular, do Facebook. A trama se desenrola em um pequeno apartamento da Zona Norte de São Paulo, "O Apê", que já é apresentado no primeiro capítulo da primeira HQ e estremece ao som dos headbanguers que protagonizam a história. Com o falatório, a gritaria e o som 3 em 1 tocando ao fundo, Roger trata o cotidiano como ele é: sujo, boêmio, confuso e sem glamour.

Curiosamente, é possível relacionar os quadrinhos a uma música de heavy metal. O som é barulhento, pesado e cheio de ruídos, mas encontra-se uma voz por trás, uma mensagem - principalmente para quem gosta do estilo.

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Com “Xampu” não é diferente: personagens e histórias se embaralham com sons de guitarras, baterias e baixo de uma geração movida a novas experiências e rock’n’roll. As tramas das pequenas histórias (pois cada HQ traz uma dupla ou um grupo diferente de personagens, habitantes do mesmo universo de amigos) são das mais diversas, como tende a acontecer com obras que exploram o simples cotidiano: uma situação simples, como a de Raquel, que precisa entregar um vestido para a tia a pedido de sua mãe; uma macábra, como a experiência com um jogo de tabuleiro que convoca espíritos; e uma memória, como o relato de uma aventura ao Rock In Rio, para o show de Guns'n'Roses.

"Xampu" poderia se passar em qualquer lugar do mundo, com qualquer grupo de pessoas, e essa é uma das coisas pela qual se destaca: o sentimento de familiaridade - a HQ promete um ar de nostalgia para aqueles que viveram a época retratada (conceito reverenciado, inclusive, na capa do box, que traz um disco de vinil). Mas é a verossimilhança em si que traz um toque pessoal, uma profundidade aos personagens que permite ao leitor se conectar.

Contudo, o defeito da HQ é, por vezes, o jeito que retrata as mulheres. Por apresentar um mundo mais grosseiro, sem delicadezas, é comum que tenha nudez e palavrões (a censura dos quadrinhos é 18 anos), mas isso não justifica que expressões e atitudes sexistas sejam aceitáveis, mesmo que façam parte do “contexto da época”. Acabam sendo trechos desconfortáveis para se ler.

Serviço:
Box da trilogia "Xampu"
Autor: Roger Cruz
Editora: Panini
Preço médio: R$ 55

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