"Trolls" leva muitas cores e fofura às telas de cinema

Animação resgata bonequinhos dos anos de 1980, com boa trilha musical, mas clichês já próprios do gênero

Ex-ministro da Justiça, José Eduardo CardozoEx-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo - Foto: Marcela Dubourcq/Unicap

 

Os bonequinhos de cabelos coloridos e arrepiados que foram fe­bre entre as crianças nos anos 1980 ganham agora a animação “Trolls”, da Dre­am­works, que estreia nesta quin­ta-feira. Dirigido por Mi­ke Mitchell - de Kung Fu Pan­da 3 (2016) e Gato de Botas (2011) -, o filme conta a história da feliz, otimista e encantadora princesa Poppy que junto com o ranzinza Tron­co precisa salvar seus ami­gos das mãos dos bergens, seres roxo-esverdeados, feios e depressivos, que acreditam que só conseguem ser felizes quando comem um troll.

“Trolls” é um filme que cau­sa uma overdose em quem o assiste em vários aspectos. Há muita música, mui­ta dan­ça, muita fofura, mui­to glitter e muitas cores. É tão colorido que demora um pouco para acostumar nos­sos olhos com tanta infor­mação na tela. E quando os pequeninos come­çam a cantar e a dançar to­dos esses elementos duplicam. Mas esse ce­nário de co­res e festas emba­ladas a uma vibe disco mu­sic acaba se tornando bem per­tinente já que os bonecos surgiram na década de 1970/1980.

Nesse sentido, a trilha sonora do filme é um dos seus pontos altos. Justin Timberlake assina a produção musical, o single tema “Can’t stop the feeling” e ainda dubla o troll “Tronco”, na versão americana. Sucessos retrôs como os de Simon & Garfunkel, Cindy Lauper e Lionel Richie se misturam de forma bem harmônica com músicas de artistas mais recentes como o próprio Timberlake e Ariana Grande. Eles alcançam assim um recurso que agrada crianças, adolescentes e adultos. E, apesar da dublagem das canções, que dificulta muitas vezes fazer a correlação com a original, a tracklist é decisiva nos momentos cômicos do filme - que não são poucos.

A história do filme acerta ao passar a mensagem otimista de que podemos ser felizes apenas procurando coisas boas dentro de nós e apreciando pequenas coisas como um abraço. Com isso, “Trolls” acaba sendo uma ode fantasiosa a esse instinto humano de procurar a felicidade.

Mas ele acaba reforçando o pensamento de que se não formos felizes, seremos incompletos - o que pode vir a ser problemático quando pensamos que “não ser feliz” pode ser um sintoma de um problema clínico como a depressão, que não se resolve com glitter e abraços.

Além desse olhar “pra ci­ma” sobre o mundo, que pare­ce ser preciso hoje em dia mais do que nunca, “Trolls” traz uma clara referência ao clássico “Cinderela”. Através da empregada Bridget, mostra que não se encaixar em pa­drões de beleza e de comportamento provoca um deslocamento social. Esse enredo também nos remete facilmente à mensagem que Shrek nos trouxe no começo dos anos 2000 - que o interior das pessoas guarda muito mais do que as aparências podem mostrar.

No entanto, o eixo do rotei­ro de “Trolls” cai em clichês ao buscar o que parece uma re­ceita de sucesso que foi achada há tempos pela Dis­ney/Pixar. Fórmula esta que a Dreamworks parece estar ten­tando adaptar ao longo de seus filmes mais recentes: colocar no meio ou no fi­nal da aventura momentos com cenas melodramáticas com o objetivo de atrair também o público adulto através do apelo emotivo. “Trolls” acaba sendo mais um para a lista de animações deste ano com fraco potencial para concorrer a grandes prêmios, como o Oscar.

 

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