Um gênero a ser reconhecido

Livro que pontua as principais obras do cinema documentário no século XX no Estado é lançado nesta segunda

Protesto na ParaíbaProtesto na Paraíba - Foto: Reprodução/Twitter

 

O documentário é um gênero que embora tenha crescido no Brasil nas últimas décadas, tanto do ponto de vista estético quanto através de um relativo aumento de popularidade entre espectadores, ainda segue em parte pouco debatido. Um passo significativo para tentar provocar esse cenário é o lançamento do livro “O documentário em Pernambuco no século XX”, escrito pelos professores e jornalistas Alexandre Figueirôa e Claudio Bezerra, doutores que ensinam na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). O lançamento será nesta segunda-feira (07), às 19h, no anfiteatro do bloco G4, sala 304, da Unicap (a obra custa R$ 30 e por enquanto está disponível apenas na Livraria SBS, da faculdade).

“Tinha a ideia desse livro há muito tempo, uns seis ou sete anos que venho fazendo levantamentos de documentários pernambucanos, coletando fichas e vendo filmes.Alguns que apenas tinha ouvido falar. Fui ao Museu da Imagem e do Som (Mispe) para assistir e recolher material, também com produtoras e realizadores. Parei, mas como o Claudio também se interessa por documentários, eu o chamei e sugeri colocar como uma pesquisa da universidade e no Funcultura. Ganhamos o apoio da Unicap e fomos aprovados no edital”, detalha Alexandre Figueirôa, que no livro se dedica à produção em película, enquanto Claudio aborda a produção em suporte eletrônico.

No livro, os autores se deslocam por diferentes períodos e propostas de estilo, catalogando e analisando filmes e cineastas de acordo com o contexto histórico e as ferramentas conceituais. Aos poucos, surge um panorama da trajetória do gênero documental, com informações relevantes, e até então inéditas, sobre a história do gênero em Pernambuco. “Há muitas publicações, textos, livros e pesquisas acerca do filme de ficção pernambucano do século XX, mas o mesmo não se pode dizer do documentário”, pondera Claudio.

“O documentário aparecia de modo acanhado, como algo secundário. Nosso livro procura mostrar a força dessa produção, suas principais obras, realizadores e características estético-narrativas”, detalha Claudio. Entre as revelações que a pesquisa trouxe, o professor destaca um ponto negativo: a condição precária de preservação do acervo audiovisual do Estado. “Não temos ainda uma cultura de preservação. Os próprios realizadores não possuem cópias dos seus trabalhos. Por isso, muita coisa se perdeu, particularmente em vídeo analógico, uma vez que as fitas mofam e se deterioram com facilidade, em função de nosso clima quente e úmido”, explica.

Observar a história do documentário em Pernambuco implica em reconhecer o valor de diferentes filmes e realizadores, que impactaram a cultura e a sociedade do Estado em momentos distintos. “Cada período tem um filme ou conjunto de filmes relevantes”, opina Alexandre. “Por exemplo, se pensar no cinema mudo, há vários filmes naturais de inauguração de obras do governo, do Carnaval, dos avanços do Recife, do futebol. É um documento importante porque reúne imagens do período, consegue mostrar o que era Pernambuco e Recife naquela época. Então como documento histórico tem relevância”, ressalta o acadêmico.

Há personagens na história do documentário pernambucano que transcendem fronteiras regionais, como Rucker Vieira (“Nome importante no cinema brasileiro, fez filmes com caráter de pesquisa etnográfica e sociológica”, diz Alexandre); Fernando Spencer (“Os documentários de Spencer compõem boa parte do registro que se tem de manifestações da cultura popular, do frevo, do maracatu”) e, mais recentemente, Marcelo Gomes (“‘Maracatu, Maracatus’ é um marco importante de um olhar inovador sobre nossas manifestações culturais”) e Paulo Caldas e Marcelo Luna (“‘O Rap do Pequeno Príncipe Contra as Almas Sebosas’ é um interessante documentário urbano sobre questões sociais e culturais do Recife”).

Considerando o amadurecimento do cinema pernambucano, que nos últimos anos se destacou no Brasil e no exterior, os pesquisadores apontam a importância da universidade. “Quando a produção cresce e chama a atenção, o reflexo é visto tanto na crítica de jornal e internet quanto na academia. É importante porque estimulam e questionam, tanto os espectadores como os realizadores”, diz Alexandre. “Acredito que o meio universitário, ao refletir sobre a produção audiovisual local, tem um importante papel não só de reverberar os filmes, para além das telas, como também de contribuir para a memória social de nossa história e produção cultural”, completa Claudio.

 

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