Uma receita qualquer na trama das seis

História pífia e ausência de tipos marcantes fazem de “Sol Nascente” apenas mais um folhetim do seu horário

Entrega do Habitacional Vereador Liberato Costa Júnior beneficiou 45 famíliasEntrega do Habitacional Vereador Liberato Costa Júnior beneficiou 45 famílias - Foto: Andréa Rego Barros/Divulgação

 

Walther Negrão parece seguir uma cartilha a cada nova novela. Mesmo com coautores relativamente novos no universo da teledramaturgia, caso de Júlio Fischer e Suzana Pires, a atual novela das seis exibe os mesmos clichês já tão reutilizados por Negrão em tramas anteriores

Uma bela fotografia e muitas cenas de ação escondem um roteiro sem graça e previsível, onde um vilão sem qualquer profundidade vai fazer caras e bocas para separar o herói e a mocinha. Na receita, ainda há espaço para os usuais personagens idosos cheios de carisma e para a pouca roupa de um núcleo praiano essencialmente feminino.

Essa sinopse já foi vista pelo público em títulos mais antigos como “Top Model” e “Tropicaliente”. Assim como em trabalhos mais recentes, casos de “Como Uma Onda”, “Araguaia” e “Flor do Caribe”.
“Reinventar a roda” não é a pretensão do time de autores de “Sol Nascente”. E é por conta da eficiência com o público que Negrão, aos 75 anos, ainda surge na lista tradicional de autores do horário das seis. A própria faixa preza por suas fórmulas.

Salve-se raras ousadias como a realista “Sete Vidas” e a colorida “Meu Pedacinho de Chão”, o horário das seis enfileira produções espíritas, de época e histórias rurais. De tão simples, a novela parece ter sido pensada de qualquer forma.

Basta observar os erros cabais de escalação e a química forçada do casal principal, que comprova que nem sempre bons atores do quilate de Giovanna Antonelli e Bruno Gagliasso conseguem segurar um par romântico.
Quando os protagonistas não funcionam, a novela abre espaço para os tipos secundários. O problema de “Sol Nascente” é que faltam coadjuvantes com cacife para “roubar a cena”. O tom raso dos papéis acaba deixando a maioria dos pares bem semelhantes, amparados por diferenças e rebeldias. Sendo assim, sobra mesmo para o vilão César, de Rafael Cardoso, ser o ponto alto da trama.

Reconhecido pelos mocinhos de produções como “A Vida da Gente” e “Além do Tempo”, Rafael é um ator de limitações dramáticas, mas vem utilizando as fraquezas de “Sol Nascente” para crescer em cena.

 Personagens próximos ao antagonista acabam se destacando, como Carol, Dona Sinhá e Sirlene, de Maria Joana, Laura Cardoso e Renata Dominguez, respectivamente. Sem novidades ou qualquer requinte que possa deixar a história menos enfadonha, “Sol Nascente” é apenas mais uma plasticamente bela e esquecível novela das seis.

 

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